quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

DECEPÇÕES

      Devemos ter cuidado com as expectativas que criamos, pois a tendência das pessoas é o egocentrismo, as coisas nem sempre acontecem do jeito que planejamos e, além do mais, a frustração de não ter chegado ao objetivo desejado é esmagador.
      O Apóstolo Paulo declara-nos o seguinte: "Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos..." (2Tm 3.1,2 - RC). Cada vez mais o ser humano parece distante da realidade relacional; do prazer em dialogar face a face com o próximo, de interagir, de comunicar-se com outras pessoas através da interação e integração social. O homem tornou-se alienado do mundo e, consequentemente alienado de Deus, da família, dos amigos e de tudo ao seu redor. Isso porque vivemos em uma sociedade altamente egocêntrica. 
      Além disso, nos enganamos ao pensar que o mundo gira ao nosso redor. Esquecemo-nos que existe uma série de fatores externos que podem contribuir para que aquelas férias desejadas não aconteçam, aquele casamento tão sonhado não dê certo, aquela promoção na empresa não saia ou aquele sonho de se tornar dono do próprio negócio não se realize.
      Outra coisa, não crie expectativas para não se decepcionar. O sentimento de fracasso é infinitamente maior quando não admitimos a possibilidade de não conseguir. O importante é continuar tentando - Não desista! Não se deixe abater com palavras desanimadoras de quem não tem o que fazer a não ser criticá-lo pelas suas tentativas. É importante saber que nem tudo o que desejamos na vida pode, como em um passe de mágica, ser alcançado se Deus não quiser; mesmo tendo força de vontade e empregando esforço para isso.
      Em virtude do que já mencionamos, somos levados a acreditar que o homem está muito longe de Deus. Tornou-se amante de si mesmo e incapaz de mudar por si só sua própria realidade de vida. Ao tornar-se egocêntrico, quis tornar-se um deus, alguém que acredita piamente em um mundo que gira em torno de si mesmo e tudo o que deseja pode ser realizado. Infelizmente, essa atitude de superioridade o faz desabar quando seu castelo de areia se desfaz em meio aos sonhos e desejos que possivelmente nunca irão se concretizar. A solução para isso? Humildade para reconhecer seus próprios limites, sua própria incapacidade e sua desesperada necessidade de comunhão com Deus e com os outros.

Em Cristo,
Pastor Gilberto de Souza

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

PERDOAR SIM, COMPACTUAR NÃO

      Vamos falar sobre relacionamento entre irmãos de fé. Parece incomum tratar um assunto como este tendo em vista a comunhão e a união característica dos salvos em Cristo Jesus. Sim, é verdade, fomos salvos por Cristo, e isso não nos isenta de humanidade. Uma humanidade, diga-se de passagem, cheia de defeitos grosseiros. As Escrituras ensinam a existência de somente duas classes ou categorias de homens - regenerados e não-regenerados, convertidos e não-convertidos, aqueles que estão em Cristo e aqueles que estão alienados de Cristo.  Quando lemos em Gálatas 5.17 sobre as obras da carne, encontramos o seguinte dizer: "Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer". Na Bíblia existe exemplos de quedas sérias e de carnalidade nas vidas de crentes verdadeiros. Por isso encontramos as advertências e as promessas de juízo temporal e de castigo, da parte de nosso Pai celeste. Contudo, não devemos julgar precipitadamente as atitudes de um cristão imaturo. É óbvio, independente do motivo, pecado é pecado e precisa ser combatido e repudiado por nós crentes maduros. A imaturidade de um cristão não pode e não deve servir de desculpa para a prática do erro. 
      Um cristão verdadeiro pode nos decepcionar? Em primeiro lugar, todos os cristãos verdadeiros estão sujeitos a pecar: "Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia" (1Co 10.12); em segundo, temos um advogado junto ao Pai (Jesus): "Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo" (1Jo 2.1); terceiro: "Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu" (1Jo 3.6). Alguém certa vez disse: "Errar é humano, mas perdoar é divino". Isso não significa que aqueles que foram perdoados tem nossa permissão para continuar em erro; pelo contrário, os erros devem ser uma motivação para mudanças.
      O que fazer quando um irmão peca contra nós? O Apóstolo Paulo nos orienta desta maneira: "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. "Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós" (Cl 3.12,13). O perdão verdadeiro só é possível com a ajuda de Deus. Se você diz que perdoou, mas quando pensa no ocorrido isso ainda te machuca, é porque você não perdoou de fato. Perdão é lembrar da afronta e mesmo assim estar em paz consigo mesmo. 
      Quando você perdoa, não é obrigado a conviver ou compactuar com o erro de um irmão que não quer se arrepender. Mas deve repreende-lo para que se arrependa: "Não aborrecerás teu irmão no teu íntimo; mas repreenderás o teu próximo e, por causa dele, não levarás sobre ti pecado" (Lv 19.17). Não podemos ser coniventes com o pecado de um irmão: "Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado" (Gl 6.1). Você não é obrigado caminhar quantas milhas forem necessárias com alguém que não quer mudar: "Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles" (Rm 16.17). O Apóstolo Paulo, ainda orienta: Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais" (1Co 5.11). A despeito de todos os versículos estudados aqui, ainda é comumente aceitar a orientação de Jesus Cristo: "Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano" (Mt 18.15-17).

Em Cristo
Pastor Gilberto de Souza

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHO

      Como é bom quando tudo vai bem. Infelizmente esta não é uma realidade eterna para nós aqui. O ser humano precisa aprender a conviver com os altos e baixos que podem surgir a qualquer momento sem aviso prévio. É bom ter saúde, dinheiro a vontade, conquistar sonhos, alcançar metas e tantas outras coisas que nos dão prazer e alegram nossa alma, mas também, temos que conviver com a realidade do sofrimento, das doenças, da falta do dinheiro, das frustrações e decepções que também fazem parte do nosso viver cotidiano. Quantas vezes temos que nos enclausurar e até mesmo nos afastar dos outros para poder chorar e gemer as escondidas? Afinal de contas, não queremos que ninguém nos veja sofrer.
      O pior sofrimento portanto, não advém das batalhas que vez por outra nos encontram nos campos da despreocupação e do despreparo - pobres ingênuos que somos, temos a leve e momentânea impressão de que as coisas ruins só acontecem aos outros. Quanta imaturidade. O pior sofrimento sem dúvida é o sentimento de abandono. Quem nunca sentiu tal vazio que não o considere o maior dos vilões, ou quem é capaz de fujir sorrateiro das garras deste destino? Como descrever tal dor? Não há linguagem nem palavras que nos cheguem aos lábios para, pelo menos, aliviar tamanho tormento. A alma seca, o chão desaparece sob nossos pés, o vazio dentro de nós parece ter o tamanho do universo, nem mesmo um gemido tímido pode ser ouvido ou sussurrado para nosso alívio. Nada mais faz sentido, nada mais tem valor.
      Nem mesmo o melhor psicólogo do mundo seria capaz de aplacar a violenta noção de morte que nos rodeia. O que ele poderia fazer apenas, seria tratar o problema superficialmente, nos orientando a pensar positivo, a continuar em frente sem olhar atrás e coisas dessa natureza. Mas nada disso seria suficiente para nos curar verdadeiramente. Só Deus tem este poder. Ninguém melhor do que Aquele que nos criou a sua imagem e semelhança, para nos conhecer tão bem. Ele diz a Jeremias: "Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações" (Jr 1.5). João diz que Jesus: "... não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana" (Jo 2.25). 
     Deus conhece o nosso sofrer, e a despeito de parecer que estamos sozinhos, Ele nunca nos desampara ou abandona: "Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti" (Is 43.2). Ele não está dizendo que vai ser fácil e que nos livrará de passar pelas águas, pelos rios e pelo fogo, pelo contrário, enfrentaremos dificuldades, mas a promessa que perdura para sempre é a de que Ele estará conosco (serei contigo). Isto significa dizer que ... "Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que o possais suportar" (1Co 10.13).
      O Senhor nunca permite o sofrimento porque tem prazer na dor de seus filhos, mas permite para um propósito maior que o nosso próprio entendimento não pode alcançar, ou seja, podemos não estar entendendo agora, mas com certeza o entenderemos mais tarde. Por isso são sábias as palavras de Paulo quando diz: "Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós [...] Quem no separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? [...] Em todas estas coisas, porém, somos mais do que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, Nosso Senhor" (Rm 8.18,35,37-39). Diante destas palavras - a que se resume nosso sofrimento? Consolemo-nos diante daquele que permanece continuamente conosco, mesmo quando não o podemos sentir nem perceber. Lembre-se, você não está sozinho!

Em Cristo
Pastor Gilberto de Souza
      

CUIDADO PARA NÃO FANATIZAR SUA FÉ


    Você deve estar se perguntando: "este tema tem alguma coisa a ver com a fé radical islâmica"? Na verdade não, muito pelo contrário. Antes de mais nada, faz-se necessário ter uma boa noção do que a palavra "fanatismo" significa e representa para que possamos dar continuidade a nossa reflexão.
      Pois bem, vamos lá. No Dicionário Atualizado da Língua Portuguesa - Dicionário Escolar, o vocábulo "fanatismo" significa 1 extremismo político ou religioso 2 paixão ou entusiasmo demasiado por algo.
      Lembro-me quando minha vovozinha, que Deus a tenha, dizia: "tudo o que é demais não é bom". Nós os protestantes normais reconhecemos o valor do estudo bíblico, e de fato nos aplicamos a ele com todo afinco. Não obstante, reconhecemos também a importância de não apenas ter luz na mente, mas fogo no coração (parafraseando o Rev. Hernandes Dias Lopes). Isso significa dizer que não anulamos, em hipótese alguma os sentimentos (emoções) em detrimento do conhecimento. É bem verdade que o conhecimento intelectual dos fundamentos da fé cristã, bem como o sentimento oriundo do desejo de conhecer mais ao salvador é muito importante, mas não é suficiente para a salvação.
      Ter experiência com Jesus é o lado emocional do conhecer a Deus. Não podemos nos esquecer que é Deus quem nos leva a uma verdadeira comunhão relacional com Cristo. Alguém que diz  estar em um relacionamento sério com Jesus, mas tem medo de liberar os sentimentos, não pode ter comunhão com Cristo porque um dos sentimentos que advém desta comunhão é o amor. Nós não estamos falando simplesmente de manifestações de sentimentalismos e emoções vazias, mas daquelas emoções que brotam espontaneamente quando estamos ligados com Deus, seja através da meditação, da oração, da pregação da palavra, do louvor etc. Ninguém pode negar as emoções quando é tocado por Deus. 
      Outra grande verdade que aprendemos com relação as emoções, além da que já mencionamos é que nem todos reagem da mesma maneira diante das mesmas experiências. O Rev. Adão Carlos Nascimento complementa: "A emoção é um sentimento ou reação a um evento ou experiência. Emocionalmente as pessoas reagem de maneira diferente. Assistindo ao mesmo acontecimento ou participando da mesma experiência, as pessoas podem reagir de maneira bem diferente. O eunuco, ao ouvir o Evangelho de Jesus Cristo, creu e pediu para ser batizado. Tudo naturalmente, sem grandes emoções. Mas o carcereiro de Filipos experimentou um turbilhão de emoções. Lucas registrou que ele "... entrou precipitadamente e, trêmulo, prostrou-se diante de Paulo e Silas" (At 16.29). O eunuco e o carcereiro tiveram experiências e emoções diferentes; mas a conversão de ambos foi autêntica" (Curso para Catecúmenos, 10ª Edição, pg. 19).
      Infelizmente, existem cristão sinceros, tementes a Deus que não concebem a ideia de que algumas pessoas podem sentir genuinamente a presença do Senhor no culto. Por conta disso, muitos preferem "se fechar" para não serem taxados como fanáticos religiosos, quando na verdade os que pensam ser sábios aos seus próprios olhos é que caem em desgraça. "Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal; será isto saúde para o teu corpo e refrigério, para os teus ossos" (Pv 3.6-8).
      Tive uma experiência impar na vida. Quando conheci a fé reformada, eu já era pastor em uma igreja tradicional, anti-calvinista. Confesso, levei tempo para assimilar pontos cruciais da fé até então desconhecidos para mim. Mas, quanto mais me aprofundava em conhecer, mais me deslumbrava com as novas descobertas. De fato, perdi inúmeras noites de sono, olhando para o vazio, tentando ligar verdades que eu já conhecia com aquelas que se descortinavam diante de mim. 
      O meu maior problema foi me permitir ir além dos limites. Depois de alguns anos, agora pastoreando uma igreja de convicção calvinista reformada, estava me tornando mais acadêmico (racionalista) do que preocupado com a simplicidade do Evangelho. Não que o ser acadêmico seja de todo ruim. A questão é que, luz na mente sem fogo no coração, pende ou para o formalismo hipócrita, ou para o fanatismo sem propósito. Não dá para desassociar uma coisa da outra. 
      Quero que você entenda isso: "o problema não está na fé reformada e sim em quem se utiliza dela de qualquer maneira". Era exatamente o que estava acontecendo comigo. Não queria considerar diálogo com outras igrejas, os livros tomaram o lugar da bíblia, a pregação, tinha apenas cunho de juízo e condenação, as citações de autores famosos tomaram o lugar do raciocínio lógico bíblico, as palavras tornaram-se frias e vazias, as letras e canções que se cantavam no culto foram demonizadas, os eventos da igreja foram proibidos quase com um asceticismo sem precedentes. 
      Não se preocupe, o Senhor me mudou a tempo! Antes que eu causasse mais estragos à igreja, o Senhor me transformou. Não há prazer maior do que pregar ou ensinar a Palavra e perceber que as pessoas a estão entendendo. O Evangelho é simples, nós é que o complicamos as vezes.
      Muito cuidado para não "fanatizar a sua fé". Cuidado com citações nas redes sociais a fim de atacar a fé dos outros. Preocupemo-nos com a pregação do Evangelho simples e puro de Jesus Cristo. Sabemos que a igreja não precisa de eventos, técnicas, formulas, adaptações, ou qualquer atividade extra para promover o reino de Deus. Sabemos muito bem que a Palavra de Deus é suficiente para isso. Mas não nos esqueçamos que vivemos em comunidade, e cada um de nós quer se sentir útil no reino, colaborando para o bem estar de todos os membros do corpo de Cristo. A igreja pode e deve ter atividades em todos os sentidos, desde que estas atividades não sejam mais importantes do que o cultuar a Deus. Vale aqui o conselho do Apóstolo Paulo: "Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus" (1Co 10.31).

Em Cristo,
Pastor Gilberto de Souza
      
      

sábado, 20 de fevereiro de 2016

UMA QUESTÃO DE CONVERSÃO


"Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido" (Lucas 19.10)

          Zaqueu, o  publicano, foi convertido pelo Senhor em algum momento não registrado nas Escrituras Sagradas. Em algum ponto de sua vida ele sentiu aquele friozinho na barriga, o coração arder, o desejo impulsivo de chorar ao sentir o peso do próprio pecado. Não foi sem motivo que Zaqueu sentiu-se atraído pelo desejo quase que incontrolável de ir a Jesus. Sim, porque ninguém vai a Jesus por conta própria a não ser que tenha sido impactado pelo poder do Espírito do Senhor que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (João 16.8). "Ao procurar ver quem era Jesus (v.3)", Zaqueu já estava convertido. Mesmo não conhecendo a figura de Jesus em carne e osso, Cristo o Senhor, já habitava o coração que Ele mesmo converteu. É por este motivo que o Senhor mais tarde vai dizer: "...houve salvação nesta casa (v.9)".
          Não vamos nos deter com a multidão que o impedia de alcançar seu objetivo; bem sabemos que há inúmeros obstáculos na vida de um recém convertido, com Zaqueu não foi diferente. Zaqueu queria cumprir o desejo de seu novo coração, ver a Jesus, e motivado por este sentimento subiu em uma árvore. Ele não queria o louvor da multidão, não estava a procura de fama, sucesso, dinheiro ou qualquer outro meio de se promover. Ao querer subir o mais alto possível naquela árvore, Zaqueu simplesmente queria contemplar a face de Cristo. Isto significa dizer que Ele desejava ardentemente em seu coração uma comunhão santa e verdadeira com o doador da vida. Naquele momento, Zaqueu não estava pensando em suas posses, posição social ou riquezas, mas em somente vislumbrar aquele que já abitava seu novo coração.
          Assim como um genuíno novo convertido, Zaqueu desejou no íntimo do ser estar a sós com Jesus, nem que fosse apenas por alguns segundos. A oração sincera, vinda de um coração arrependido, sedento e grato é um tipo de "chamar a atenção do Senhor para si". Isso não quer dizer que não nos importamos com outros seres humanos que ao serem tocados por Cristo sentem o mesmo desejo pelo Senhor, pelo contrário, quando queremos chamar a atenção de Jesus para nós é porque desejamos que Ele continue a sua obra redentora em em nosso ser. 
          Outro sentimento comum a um novo convertido é o sentir-se "pequeno" diante da majestade soberana de Cristo e isto não tem nada a ver com estatura física, mas sim, com a pureza de Jesus diante da sujidade do pecado sobre nós. Quando Zaqueu recebeu a notícia de que Jesus pernoitaria com ele aquela noite, mais do que depressa desceu daquela árvore, e mesmo reconhecendo suas misérias espirituais, e que era passível da punição eterna por conta delas, recebeu a Cristo em sua casa com toda alegria da qual o próprio Senhor o havia revestido. Brota no coração deste novo convertido um sentimento que não havia antes. O desapego. 
          Mesmo antes de Jesus se convidar para passar a noite na casa de Zaqueu, este, com certeza já sentia em seu coração o desejo de que Jesus entrasse em sua casa. Neste sentido, "entrar em sua casa", significa o desejo de que o Senhor continue o trabalho de santificação a qual ele havia experimentado em seu coração. Zaqueu havia construído a sua casa na areia, mas agora sabia que chegara o momento de estruturá-la solidamente sobre a rocha. Feridas emocionais e espirituais precisavam ser extirpadas, removidas. Era preciso aprender o caminho da Santidade, era preciso deixar de amar o mundo para amar somente a Cristo.
          O maior milagre ocorrido na vida de Zaqueu não aconteceu porque ele quis, mas porque o Senhor o quis. Ele não foi salvo porque estava são, mas porque estava doente, não porque estava salvo, mas porque ainda estava perdido. É por isso "que o Filho do Homem (Jesus Cristo) veio buscar e salvar o perdido" (Lc 19.10). Zaqueu só foi salvo porque sabia que sem Jesus ele estaria perdido. Qual a sua situação diante de Deus? Você ainda continua depositando sua confiança em seus próprios méritos ou já consegue reconhecer a sua total incapacidade e dependência de Cristo?

No amor de Jesus Cristo,

Rev. Gilberto de Souza

terça-feira, 9 de setembro de 2014

CRISTÃOS VERDADEIROS PODEM COMETER SUICÍDIO?


      Vamos considerar a seguinte pergunta: O que é o suicídio e o que leva uma pessoa a cometê-lo? Suicídio é o ato de tirar a própria vida intencionalmente. O suicida e os comportamentos suicidas normalmente ocorrem devido a transtorno de personalidade, depressão, dependência de drogas ou álcool. As pessoas que cometem suicídio normalmente estão tentando fugir de uma situação de vida que lhes parece impossível de enfrentar. Muitas estão buscando alívio por sentirem-se envergonhadas, culpadas ou serem um peso para os demais; sentirem-se vítimas; terem sentimento de rejeição, perda ou solidão. Os comportamentos suicidas podem ser causados por uma situação ou acontecimento que a pessoa encara como devastador, por exemplo, envelhecimento (entre os idosos há maior taxa de suicídios), a morte de uma pessoa querida, dependência de drogas ou álcool, trauma emocional, doença física grave, desemprego ou problemas financeiros. A maioria das tentativas de suicídio não resulta em morte. Muitas delas são feitas de forma que o resgate seja possível. Algumas pessoas tentam o suicídio de forma não violenta, como envenenamento ou overdose. Os homens, principalmente idosos, têm mais probabilidade de escolher métodos violentos, como atirar em si mesmos. Como resultado, as tentativas de suicídio de homens têm mais chances de resultar em morte. Os parentes de suicidas, muitas vezes, culpam-se ou ficam furiosos. Eles podem ver o suicídio como um ato egoísta. No entanto, as pessoas que tentam cometê-los, em geral, acreditam erroneamente que, ao deixar o mundo, estão fazendo um favor a seus amigos e parentes.

      Muitas vezes, mas não sempre, uma pessoa pode apresentar determinados sintomas ou comportamentos antes de uma tentativa de suicídio, incluindo: a)Ter dificuldade para se concentrar ou pensar claramente; b) doar seus pertences; c) falar sobre ir embora ou sobre a necessidade de “organizar minhas coisas”; d) mudar repentinamente de comportamento, principalmente estado clamo após um período de ansiedade; e) perder interesse em atividades em que costumava se divertir; f) ter comportamento autodestrutivos, como beber muito álcool, usar drogas ilegais ou cortar o próprio corpo; g) afastar-se dos amigos ou não querer sair; h) repentinamente, começar a ter problemas na escola ou no trabalho; i) falar sobre morte ou suicídio, ou mesmo dizer que quer se ferir; j) dizer que se sente desolado ou culpado; l) mudar hábitos de sono ou de alimentação.

      Em suma, o suicida é uma pessoa totalmente alheia e mentalmente indisposta a responder positivamente à vida. É incapaz de procurar em Deus a paz e o refrigério que emana da graça divina. O crente, apesar da possibilidade de cair em pecado, das tentações de Satanás e do mundo, e ainda que passe pela pior tribulação ou sofrimento, repousa seguro nas promessas do Senhor: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1Co 10.13). O verdadeiro cristão pode até imaginar que a morte seja verdadeiramente um descanso para a alma sofredora, e de fato é, mas nunca a morte através do suicídio: “Porque não queremos irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. Contudo, já em nós mesmos, tivemos a setença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos; o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; em quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos...” (2Co 1.8-10). O regenerado não pode cair totalmente (viver na prática do pecado) e nem finalmente (sucumbir à morte sem Cristo) do estado de graça em que se encontra, porque Deus o guarda na segurança da salvação. Diz a Confissão de Fé de Westminster:

Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, os que ele chamou eficazmente e santificou pelo seu Espírito, não podem cair do estado de graça, nem total nem finalmente; mas com toda a certeza hão de perseverar nesse estado até o fim, e estarão eternamente salvos.

      De todos os pecados que o homem pode cometer contra si mesmo e contra a Santidade de Deus, o único que nega veemente a eficácia da operação do Senhor através do Espírito Santo, o qual tem por missão convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo (Rm 16.8) é o suicídio. Este é a forma mais cruel de alguém dizer adeus. Não há chance para apelação ou reconsideração. O suicídio é uma declaração pública de protesto contra a vida, contra pessoas, contra situações e contra Deus. Acima de tudo, é o grito da alma contra a operação regeneradora e salvadora do Espírito Santo de Deus. É a falta de fé no Deus que é capaz de suprir todos os anseios da alma. O suicídio não é o grito desesperado de uma alma sofredora, mas sim o reflexo de uma alma inconversa, perdida, vazia, sem esperança, sem fé, sem Deus, sem vida e condenada à morte eterna: “Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1Co 6.19).

      A Bíblia fala do pecado imperdoável. Um pecado que não será perdoado, nem neste mundo nem no vindouro. Quem pode praticar esse pecado? Aqueles que não foram chamados por Deus à salvação. O que torna diferente dos outros o pecado imperdoável é a relação com o Espírito Santo. Se alguém destrói o templo do Espírito Santo (o corpo), como pode esta mesma pessoa pensar que será salva? “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado” (1Co 3.16,17). “E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele...”  (Rm 8.9b). Se de fato um cristão sincero e verdadeiro comete suicídio, a obra redentora de Cristo por intermédio do Espírito Santo se torna inútil. A Bíblia é categórica em afirmar que quem convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo é justamente o Espírito Santo. Ele nos converte da morte para a vida e não o contrário: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados... Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo...” (Ef 2.1,4,5). Além de nos dar a vida, somos capacitados por Deus a suportar as mais terríveis provações possíveis: “... os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8.18). “Quem nos separará do amor de Cristo? será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? ... Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.35,37-39).

      A obra do Espírito Santo é iluminar a mente dos pecadores (Ef 1.17,18), revelar e ensinar o evangelho (Jo 14.26), persuadir as almas a arrepender-se e crer na verdade (At 7.51). O Espírito não só explica a Palavra de Deus, mas também abre a mente de modo que a palavra possa ser entendida. Negar esta revelação é nunca ter tido uma verdadeira experiência de conversão. Quando a influência do Espírito é deliberada e conscientemente recusada, em oposição à luz, então o pecado irreversível pode ser cometido como um ato voluntário e deliberado. Em resposta a essa atitude, há um endurecimento do coração, vindo da parte de Deus, que impede o arrependimento e a fé (Hb 3.12,13). Qualquer pessoa que nasceu de novo não cometerá esse pecado, porque o Espírito vive nela e Deus não está dividido contra si mesmo (1Jo 3.9). Os outros versículos que tratam do pecado imperdoável são: Hb 6.4-6; 10.26-29; 1Jo 5.16,17. Esses versículos mostram que a possibilidade de esse pecado ser cometido depende de ter havido iluminação e entendimento específico da parte de Deus.

     O suicídio é pecado imperdoável, porque quem tira a sua própria vida, definitivamente, não crê em Deus e muito menos na operação redentora e regeneradora do Espírito Santo sobre ela. A Bíblia fala dos que morreram em Cristo, não dos que se suicidaram em Cristo, ou por Cristo, ou ainda, sem Cristo (1Ts 4.16). Para os que dão cabo da própria vida, tudo é motivo para fazê-lo, mas o cristão verdadeiro, apesar das circunstâncias e adversidades, sabe muito bem esperar em Deus: “Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5b). Por que o cristão desejaria se matar, se o próprio Jesus Cristo prometeu paz, alertou sobre as aflições desta vida e orientou-nos a ter bom ânimo? (Jo 16.33). O verdadeiro cristão não se suicida; ele foi salvo da morte e não para a morte: “quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida” (1Jo 5.12).

      Os suicidas fazem parte daquele grupo denominado “não-eleitos”; independente de quem sejam ou o nome que os caracterize: podem ser pessoas comuns, pastores, filhos de pastores, sacerdotes, crentes, os assim chamados nominalmente cristãos etc. Ainda que tenham sido chamados pelo ministério da Palavra e tenham um certo conhecimento de Deus, e mesmo tendo vivenciado experiências pelo Espírito, não serão em tempo nem por meio algum salvos: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” (Mt 7.22,23) A Confissão de Fé de Westminster diz:

Os não-regenerados, ainda que sejam chamados pelo ministério da Palavra e tenham algumas das operações comuns do Espírito, contudo jamais chegam a Cristo e, portanto, não podem ser salvos; muito menos poderão ser salvos por qualquer outro meio..., por mais diligentes que sejam em conformar sua vida de acordo com a luz da natureza e com a lei da religião que professam; asseverar e manter que o podem, é muito pernicioso e detestável.

CONCLUSÃO
      O santuário descrito em 1 Coríntios 3.16 e 17 diz respeito ao nosso próprio corpo. Imaginemos, agora, as muitas formas de destruir esse santuário. O suicídio é uma delas. O verdadeiro cristão é capaz de cometer pecados, mas não o pecado imperdoável. A diferença é que, como nova criatura em Cristo, ele pode rejeitar o pecado, e, mesmo que venha a praticá-lo, a sua consciência está cativa à Cristo e não mais escrava do pecado para satisfazer a sua vontade. João escreve: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 2.1).

      Jesus morreu somente pelos eleitos, ou seja, para perdoar somente os pecados deles: “...Além dos eleitos não há nenhum outro que seja remido por Cristo, eficazmente chamado, justificado, adotado, santificado e salvo” (Confissão de Fé de Westminster. Decretos, p.39). Os sintomas mais característicos de um suicida é a repulsa pela vida e a falta de fé em tudo, principalmente em Deus. A Bíblia ensina que “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus...” (Hb 11.6a). Sem fé é impossível converter-se para a salvação: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).

     O cristão, por causa das lutas e tribulações, pode até desejar morrer para estar com cristo (Fp 1.23), mas nunca desejar tirar a própria vida para isso (Fl 1.21); ou seja, para o apóstolo Paulo, Cristo é sua razão de existir. Ao invés de desfazer a união que Paulo tem com Cristo, a morte vai introduzir Paulo em uma experiência mais profunda. Paulo deseja estar com Cristo, mas também deseja permanecer na terra por causa da igreja. Este é o dilema. Contudo, a decisão está nas mãos de Deus, e Paulo está confiante de que Deus tem mais trabalho para ele entre os filipenses. Moisés, por exemplo, não desejou suicidar-se por causa dos problemas. Assim como Jó, Elias, Jeremias e tantos outros servos de Deus, todos passaram por problemas a ponto de querer, como Paulo, estar com o Senhor pela morte, e não pelo suicídio. Quanto aqueles que deram testemunho de vida cristã, mas se suicidaram? Jesus responde: “Nem todo o que me diz: Senhor! Entrará no reino dos céus...” (Mt 7.21).

      O suicídio não faz e nunca fez parte da nova natureza do cristão. Davi chegou ao ponto de tirar a vida de alguém, arrependeu-se sinceramente e, durante sua vida, sofreu as amargas consequências desse erro. Mesmo assim, por conta dessa culpa, não cometeu suicídio. Diz a Bíblia: “O homem bom cuida bem de si mesmo, mas o cruel prejudica o seu corpo” (Pv 11.27). Ninguém tem direito de acabar com a vida que não lhe pertence, mesmo que essa vida seja a sua: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1Co 6.19).


Rev. Gilberto de Souza

segunda-feira, 7 de abril de 2014

PRÉ-REQUISITO: UM ATESTADO DE CAPACIDADE

      As maiores e melhores empresas do mundo tem investido pesado na contratação de mão de obra especializada, ou seja, para os que almejam bons cargos e salários atrativos, se faz necessário agregar alguns pré-requisitos que os tornam capazes de desempenhar determinadas funções exigidas pelo contratante. Na esfera religiosa a diferença está em que a igreja não é uma empresa, seus membros não são funcionários e seus oficiais não são chefes, gerentes ou patrões. Noventa por cento do trabalho realizado na igreja se faz por intermédio do voluntariado, aja vista, poucas exceções. Na igreja, a “empresa” é o reino de Deus, os “funcionários” são os eleitos, os “cargos” são funções, o “salário” é a vida eterna e o “dono de tudo” é nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

     Para desempenhar determinada função em determinada área de atuação, e, para ser bem sucedido naquilo que faz, é necessário que a pessoa ame o que deseja e tenha qualificação (capacidade) para assumir responsabilidades. A capacidade é um fator determinante para um bom desempenho do trabalho, seja ele qual for. Fazer algo que não gosta ou que não está capacitado (apto) a fazer, só trará descontentamento, frustração, além de prejuízo ao trabalho que executa. É por isso que alguns pré-requisitos são necessários no sentido de se saber que quem vai assumir determinada função está apto para ela, e num outro sentido, preservar a obra de Deus. Além de tudo o que já foi dito, o mais importante é a certeza e a convicção do chamado de Deus para a obra.

     O que Deus deseja para a Sua obra não são pessoas fascinadas pelo poder, pela fama, pelos aplausos ou reconhecimento dos homens, mas aptas e dispostas a doar-se em prol da causa de Cristo, desempenhando da melhor maneira possível o ministério (a função) pela qual foram chamadas por Deus. O que o Senhor deseja são pessoas que apontem à Cristo e não a si mesmas. Que sejam humildes e agradecidas, amem aquilo que fazem, e o que fazem façam-no por prazer e não por obrigação. Você tem este chamado?

Em Cristo,

Rev. Gilberto de Souza

quinta-feira, 27 de março de 2014

POR QUE DEUS PERMITE O SOFRIMENTO, A TRISTEZA, A DOR, AS TRAGÉDIAS, E QUE O HOMEM SEJA LANÇADO NO INFERNO SENDO ELE (DEUS) TÃO BOM COMO DIZEM?

Deus criou o homem por um ato especial de amor: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27); “... Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí” (Jr 31.3); “... o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Rm 5.5); “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus [...]” (1Jo 3.1). Deus não nos criou para um outro propósito senão o de glorifica-lo e o de sentir prazer n’Ele: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31; cf. Ef 1.5,6; Rm 14.7,8).

Deus criou o homem perfeito: “Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus de glória e de honra o coroaste” (Sl 8.5). Criou o homem livre com capacidade de tomar decisões e de fazer escolhas: “... e o homem passou a ser alma vivente” (Gn 2.7); “... tenha ele domínio sobre...” (Gn 1.26); “... enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre...” (Gn 1.28); “... De toda árvore do jardim comerás livremente...” (Gn 2.16); “Deu nome o homem a todos os animais...” (Gn 2.20).

Deus estabelece com o homem uma única condição: “E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16,17); “... Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais” (Gn 3.2,3).

Se o homem escolhesse desobedecer (por livre e espontânea vontade), a consequência do seu ato seria a entrada do pecado no mundo, a morte e com ela todas as demais maldições advindas dessa decisão: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12). Por causa da desobediência do Éden, o homem morre: “... porque o salário do pecado é a morte...” (Rm 6.23); Por causa da desobediência do Éden, o homem sofre: “E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio a dores darás à luz filhos...” (Gn 3.16); “... em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida [...]. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra...” (Gn 3. 17 e 19). Por causa da desobediência do Éden, o homem está sujeito as tragédias e catástrofes naturais: “E a Adão disse [...], maldita é a terra por tua causa...” (Gn 3.17); “Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (Rm 8.22). Por causa da desobediência do Éden, o homem está destinado à perdição eterna. Diz Jonathan Edwards:

“Os ímpios já estão debaixo da sentença de condenação ao inferno. Eles não só merecem ser lançados ali, mas a sentença da lei de Deus, esse preceito de eterna e imutável retidão que o Senhor estabeleceu entre si mesmo e a humanidade, também se coloca contra eles, e assim os mantém. Portanto, tais homens já estão destinados ao inferno. "...o que não crê já está julgado." (Jo 3.18). Assim, todo impenitente pertence, verdadeiramente, ao inferno. Ali é o seu lugar, ele é de lá, como temos em João 8.23: "vós sois cá debaixo" e para lá é destinado. Este é o lugar que a justiçam, a Palavra de Deus e a sentença de sua lei imutável reservam para ele” (Pecadores nas mãos de um Deus irada - Sermão pregado em 08 de Julho de 1741 em Enfield, Connecticut – EUA).

CONCLUSÃO:

Somos acostumados a questionar Deus por conta do sofrimento, da dor, das tragédias ocorridas no mundo e em nossas próprias vidas, da tristeza, do infortúnio, etc., sem nos apercebermos de que todas estas coisas ocorrem por causa da desobediência do homem no Éden e não por causa de Deus.   O homem é a causa da sua própria desgraça: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu...” (Gn 3.6); “Porque de dentro do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem” (Mc 7.21-23); “De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” (Tg 4.1). Ainda que o Senhor ame suas criaturas, o amor d’Ele não anula a sua justiça: “Amas a justiça e odeias a iniquidade...” (Sl 45.7); “...Tão somente no Senhor há justiça e força...” (Is 45.24).

Quando Deus estabelece a Sua Aliança com Adão, e consequentemente com toda raça humana através dele, estabelece também consequências advindas da quebra desta Aliança para correção, castigo e punição dos infratores. As consequências da quebra da Aliança são de exclusiva responsabilidade do homem. Deus é Santo, Justo e Verdadeiro: “...Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto” (Dt 32.4). O Senhor apenas aplica com justiça e retidão o castigo que merece o faltoso. Se Deus disse a Adão que a consequência da sua desobediência seria a morte, isto implica dizer que se o homem desobedecesse a Deus, Ele justamente teria que aplicar a pena imposta pela ação voluntária de Adão. É por isso que Deus não pode voltar a traz com a sua palavra: “...porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir” (Jr 1.12). Se o Senhor simplesmente perdoasse Adão no ato da desobediência, Ele deixaria de ser justo e cumpridor da sua palavra. Deixaria de ser Deus.

A consequência da desobediência do homem no Éden, trouxe a morte e com ela todas as demais desgraças que afligem a humanidade desde então. Todos, sem exceção, nascemos mortos em nossos delitos e pecados e condenados ao inferno para sempre: “...porque todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Jo 3.23). Mas, “...aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação” (1Co 1.21). É Deus quem nos convence do pecado, da justiça e do juízo por intermédio do Espírito Santo (Jo 16.8); É Deus quem nos salva do poder da morte do pecado pela Sua Graça (Ef 2.4-9); É Deus quem nos escolhe para a salvação e nos designa para sermos participantes da Sua obra (Jo 15.16; cf. 3.27; 6.37,44); É Deus quem aplacou a sua ira contra os eleitos aceitando de bom grado a oferta propiciatória do sacrifício do seu único filho em nosso lugar: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10; cf. Jo 3.16).

Por que Deus permite o sofrimento, a tristeza, a dor, as tragédias, e que o homem seja lançado no inferno? Eu responderia: “Porque ele mesmo (o ser humano) se colocou nessa condição, escolhendo livremente a morte ao invés da vida, maldição ao invés da benção, o pecado ao invés de Deus. Ele simplesmente respeita a vontade humana”. Que motivos temos para culpar Deus pelas nossas más escolhas? “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! (Rm 9.22).

Rev. Gilberto de Souza

  

segunda-feira, 24 de março de 2014

DEUS NOS AMA, E ISTO É O SUFICIENTE

       Por muitas vezes chegamos a duvidar que Deus nos ama tanto quanto as pessoas dizem que Ele possa nos amar. E, independente das vezes que Ele mesmo diga isso por intermédio das Escrituras, e por inúmeras vezes por intermédio de seus ministros em pregações, continuamos a questionar o Seu amor. Duvidamos do amor de Deus quando perdemos o rumo, o foco, quando desanimamos. Desanimamos quando deixamos de confiar em Deus e passamos a confiar naquilo que podemos realizar. Infelizmente, a maioria dos crentes cria expectativas em cima de suas realizações, dos seus feitos e de suas capacidades. Se a coisa está dando certo é graças a mim, se está dando errado, a culpa é sempre dos outros ou de Deus.

     Existem pessoas que enxergam a igreja como apenas um negócio; daí dizer: “pequenas igrejas, grandes negócios”. Igreja não é organização e nem instituição religiosa; a igreja é um organismo vivo. A igreja organização ou instituição é apenas um local onde a verdadeira igreja que são pessoas, se reúnem para cultuar a Deus. Precisamos entender que o evangelho é difícil de ser assimilado, entendido, aceito e praticado pela maioria que não quer se relacionar com Deus. Alguns dos melhores sermões que já foram pregados, foram pregados para uma minoria interessada. Algumas das mais fantásticas manifestações de Deus aconteceram entre um punhado de crentes reunidos em nome de Jesus Cristo. Nós não precisamos flertar com o mundo e nem trazer o mundo para dentro da igreja a fim de agradar homens. Deus converte homens pela pregação da Palavra. Nós não deveríamos usar a sabedoria do mundo, deveríamos nos servir da sabedoria de Deus.

     A questão não é quão útil podemos nos tornar ou quão bem sucedidos nossos ministérios parecem ser – É sobre ser moldado à imagem de Cristo. Tudo em nossas vidas deveria convergir para nos moldar a Cristo. Deus não é servido por mãos humanas como se ele precisasse algo de nós. É Ele quem nos concede o privilégio de participar na grande obre que Ele está realizando. O grande objetivo de Deus não é nos tornar servos bem-sucedidos, mas sim, nos conformar a imagem de Jesus Cristo. Não precisamos ser bem-sucedidos aos olhos do mundo ou poderosos, eloquentes, ou qualquer outra coisa. Por que? Porque simplesmente “somos amados por Deus”. E quem somos para sermos amados por Ele? Somos tão impuros, tão injustos e tão ignorantes sobre as coisas mais profundas de Deus que deveríamos nos envergonhar por ter pensado um dia que eramos auto-suficientes. Deveríamos nos envergonhar por ter pensado que poderíamos ser amados por Deus se tão somente nos esforçássemos para isso.

     Enquanto a nossa alegria, a nossa segurança e tudo mais vierem do nosso desempenho, passaremos o resto de nossas vidas desanimados, desiludidos e o que é pior, atormentados pela insegurança, pelas dúvidas e incertezas da vida. Não precisamos ser grandes, espertos, eloquentes, ter ministérios tremendos e nem ser famosos… “Deus nos ama! E isto é o suficiente”. O maior ato de Fé é olhar no espelho da Palavra de Deus e ver todas as nossas falhas, todos os nossos pecados, todas as nossas deficiências, todas as nossas imperfeições e mesmo assim acreditar que Deus, apesar disso, nos ama exatamente como Ele diz que nos ama. E Ele realmente nos ama.     


Em Cristo,

Rev. Gilberto de Souza

sexta-feira, 7 de março de 2014

DESTINADOS AO INFERNO OU PREDESTINADOS A SALVAÇÃO?

DESTINADOS AO INFERNO OU PREDESTINADOS A SALVAÇÃO?

DESTINO COMO ENSINAMENTO FILOSÓFICO-RELIGIOSO

A palavra “destino” no sentido filosófico-religioso é geralmente concebido como uma sucessão inevitável de acontecimentos relacionada a uma possível ordem cósmica. Portanto, segundo essa concepção, o destino conduz a vida de acordo com uma ordem natural, da qual nada que existe pode escapar.1 O destino é descrito ainda, como uma força ou poder que controla tudo e a todos sem levar em conta a liberdade, a capacidade de autodeterminação racional, a escolha inteligente de certos fins e a responsabilidade do homem diante de seus próprios atos. Sendo assim, o homem não passa de um mero marionete nas mãos do destino. Apesar disso, o decreto de Deus não é incoerente com a livre ação do homem. Destino não tem nada a ver com Deus. Deus não decretou realizar por sua ação pessoal e direta o que quer que venha a acontecer2 - Veremos mais adiante quando trataremos do assunto predestinação. O conceito de destino sofisticou-se com o tempo. Ele se tornou fundamental para a filosofia e a religião. E continua até hoje. Tanto que uma das doutrinas mais antigas sobre o assunto ainda está em voga: a do carma, elaborada há menos de 3 mil anos na índia. De acordo com ela, nada acontece por acaso: todos os fatos na vida de um indivíduo são consequência de suas ações em existências passadas. “Nosso caráter é resultado total de nosso passado, e o nosso futuro será determinado por nosso presente”.3 Alguns atribuem personalidade ao destino, chegando ao ponto de adorá-lo como um deus.

DESTINO COMO FATALISMO

Outra teoria ensinada em relação ao destino é a do “fatalismo”. O fatalismo é um sistema no qual tudo que acontece é atribuído ao destino. Esta outra doutrina não pode ser comparada ao decreto divino e a predestinação ou eleição. O decreto divino só dá certeza aos eventos, mas não implica que Deus os realizará ativamente.4 Por fatalismo entende-se um sistema no qual as escolhas e decisões humanas não fazem diferença alguma. No fatalismo, não importa o que façamos, as coisas continuarão seguindo seu curso previamente determinado. Portanto, é inútil tentar influenciar o resultado do eventos ou o resultado de nossa vida esforçando-nos ou fazendo algumas escolhas importantes, porque, seja como for, não farão diferença alguma. No verdadeiro sistema fatalista, naturalmente, nossa humanidade é destruída porque nossas escolhas realmente nada significam, e nossa motivação em direção aos princípios morais é eliminada.5 Diferente da doutrina do destino e do fatalismo, a predestinação ou eleição não isenta os seres humanos de liberdade e responsabilidade, muito pelo contrário: “Deus dotou a vontade do homem de tal liberdade natural, que ela nem é forçada para o bem nem para o mal, nem a isso é determinada por qualquer necessidade absoluta de sua natureza.5  ... cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz” (Tg 1.14).

DESTINO COMO LUGAR, DIREÇÃO, RUMO, CAMINHO ETC.

Destino, acima de tudo, é a direção, o rumo, o caminho natural que o homem escolhe para chegar a determinado fim. O destino do homem está intimamente ligado a desobediência no Éden (Gn 2.15-17). Ao transgredir o mandamento de Deus, o homem se lançou definitivamente no inferno (Sl 9.17; Rm 5.12; 6.23a; Jo 8.34; Is 59.2; Rm 3.23; 3.10-18; 2.5; 1.28-32). Portanto, o destino do homem foi traçado por ele mesmo no momento em que escolheu pecar. Enquanto que “destino” fala do caminho natural do homem e suas consequências, a predestinação é o caminho de Deus para os escolhidos em Cristo Jesus para a salvação. É um erro pensar que pessoas irão para o inferno por causa deste ou daquele pecado. Por causa do pecado todos nascemos destinados ao inferno. Não somente o merecemos, mas também estamos condenados a ele. A diferença é que pela Graça de Deus, alguns foram escolhidos para saírem de lá.

Falando sobre a morte em Gênesis 3.19 como consequência do pecado, Misael Batista do Nascimento diz:

“... após a queda, a morte é apontada como destino certo."7

No sermão pregado por Jonathan Edwards em 08 de julho de 1741 em Enfield, Connecticut – EUA, ele diz:

"Os ímpios já estão debaixo da sentença de condenação ao inferno. Eles não só merecem ser lançados ali, mas a sentença da lei de Deus, esse preceito de eterna e imutável retidão que o Senhor estabeleceu entre si mesmo e a humanidade, também se coloca contra eles, e assim os mantém. Portanto, tais homens já estão destinados ao inferno. "...o que não crê já está julgado." (Jo 3.18). Assim, todo impenitente pertence, verdadeiramente, ao inferno. Ali é o seu lugar, ele é de lá, como temos em João 8.23: "vós sois cá debaixo" e para lá é destinado. Este é o lugar que a justiçam, a Palavra de Deus e a sentença de sua lei imutável reservam para ele."8

Várias passagens da Escritura ensinam que o pecado é herança do homem desde a hora do seu nascimento e, portanto, está presente na natureza humana tão cedo que não há possibilidade de ser considerado como resultado de imitação, Sl 515; Jó 14.4; Jo 3.6. Em Ef 2.3 o apóstolo Paulo diz que os efésios eram “por natureza” Filhos da ira, como também os demais. Nesta passagem a expressão “por natureza” indica uma coisa inata e original, em distinção daquilo que é adquirido. Então o pecado é uma coisa original, da qual participam todos os homens e que os faz culpados diante de Deus. Além disso, de acordo com a Escritura, a morte sobrevém mesmo aos que nunca exerceram uma escolha pessoal e consciente, Rm 5.12-14 [...]. Há uma profunda verdade no pronunciamento de Agostinho de que o pecado também é punição do pecado. Significa que o estado e a condição pecaminosa em que o homem nasce, por natureza fazem parte da penalidade do pecado [...]. O pecado separa de Deus o homem, e isso quer dizer morte, pois é só na comunhão com o Deus vivo que o homem pode viver de verdade [...] O pecado é sempre uma influência corruptora na vida, e isso é parte da nossa morte.9 É nesse sentido que o homem está destinado ao inferno.

O CAMINHO DA PREDESTINAÇÃO

Enquanto que o “destino” é o caminho que o homem escolheu pela desobediência no Éden: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12), todo gênero humano, pela sua queda, perdeu a comunhão com Deus, está debaixo de sua ira e maldição, e assim ficou sujeito a todas as misérias nesta vida, à própria morte e às penas do Inferno para sempre.10 O homem tinha duas escolhas: viver eternamente com Deus para o Seu louvor e glória, ou sofrer eternamente as consequências de uma vida separada d’Ele. Por livre e espontânea vontade o homem selou seu destino quando escolheu o caminho da desobediência. A Predestinação não tem absolutamente nada a ver com o destino no sentido filosófico-religioso, e nem com o fatalismo que ensinam que as decisões e escolhas humanas não fazem diferença alguma. Na predestinação, Deus não viola a liberdade, a consciência e a responsabilidade do homem quanto a suas escolhas e decisões: Desde toda a eternidade e pelo mui sábio e santo conselho de sua própria vontade, Deus ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou a contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.11 Nada que o homem pense, deseje ou faça, é capaz de mudar os designios e decretos de Deus. Deus não predestinou pessoas para o inferno e sim, para a vida eterna. A predestinação para a vida é um ato puramente soberano, ao passo que o destino para a morte eterna é também judicial e leva em conta o pecado do homem. O homem traçou seu destino eterno pela escolha no Éden - não há como voltar atrás; é por isso todos nascemos condenados ao inferno. Deus elege soberanamente alguns para a vida e outros simplesmente os deixa na condição que já se encontram. João Calvino diz:

“Ninguém vai para o inferno. Alguns saem dele”(Ef.2.1,5; Cl. 2.13; Ap.2.11; Ap.20.6,14).

Rev. Gilberto de Souza

REFERÊNCIAS
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1Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: <pt.wikipedia.org/wiki/Destino>. Acesso em: 03 mar. 2014.
2,4,9BERKHOF, LOUIS. Teologia Sistemática; traduzido por Odayr Olivetti. – 4ª Ed. Revisada_São Paulo: Cultura Cristã, 2012. Pág.100,223 e 240.
3Botelho, José Francisco e Versignassi, Alexandre. Destino Existe? Disponível em: <super.abril.com.br>. Acesso em: 03 mar. 2014.
5GRUDEM, Weyne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
6,11Confissão de Fé de Westminster/Assembleia de Westminster – 18. Ed. – São Paulo: Cultura Cristã, 2008 p.113, 33 Cap.IX, III – Do Livre-Arbítrio - I, Dos Eternos Decretos de Deus – I.
6SCHERRE, Vanderson. A vida eterna – 1 Corintios 2.9. Quinta-feira, 29 de Setembro 2013. [Internet]. Disponível em: <http://pitadinhadedoutrina.blogspot.com.br>. Acesso em: 06 de mar. 2014.
7NASCIMENTO, Misael Batista. OS DEZ MANDAMENTOS Os preceitos do Deus da aliança – Expressão – Lição 8 da EBD. Revista do aluno. Ed. Cultura Cristã. 1º Trimestre – 2014. Pág.36
8EDWARDS, Jonathan. PECADORES NAS MÃOS DE UM DEUS IRADO. Disponível em: <http://monergismo.com>. Acessado em: 05 mar. 2014. 
10O Breve Catecismo / Assembleia de Westminster (1643 a 1652); [tradução Igreja Presbiteriana do Brasil]. – 2.ed. – São Paulo: Cultura Cristã. Pergunta 19. pág.24.

A CRIAÇÃO DE EVA

A CRIAÇÃO DE EVA

Se considerarmos a fé como base sólida para uma explicação coerente da obra sobrenatural da criação de Deus, os fatos e acontecimentos descritos na Sagrada Escritura serão assimilados de forma natural. Porém, se racionalizarmos a obra da criação como sendo um produto da evolução ou fruto do acaso, será impossível crer, até mesmo, na existência de um Deus criador e sustentador de todas as coisas. Um dos maiores questionamentos a respeito da criação, continua sendo o da origem da humanidade. Neste artigo pretendo voltar-me a uma pergunta em particular que não deixa de ter implicações diretas também com a criação do homem: Como surgiu a mulher? A Bíblia relata este fato da seguinte forma: “Então, o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe” (Gn 2.21,22). Pela fé e iluminação do Espírito Santo, os cristãos entendem perfeitamente esta revelação. Mas, e do ponto de vista científico? Como o Criacionismo Científico refuta o evolucionismo e explica a criação de Eva através da genética?

A Genética é o ramo da biologia que estuda a transferência das características físicas e biológicas de geração para geração. O material genético contém toda a informação necessária a existência de um organismo. É com base nesta informação genética que o organismo se forma e cresce. Portanto, material genético é qualquer material biológico que contenha o DNA do doador do material. É no DNA que está toda a informação genética de todos os seres humanos. No núcleo de cada célula do indivíduo, está contido o material genético, acondicionado em cromossomas. Estes são compostos de ácido desoxirribonucleico (DNA) e nucleoproteínas complexas.

Cada pessoa possui 22 pares que são iguais tanto nos homens quanto nas mulheres, estes são denominados autossomas. A diferenciação se dá com o 23o par, os cromossomos sexuais, o qual, nas mulheres, é composto de dois cromossomas X e, nos homens, de um cromossoma X e um cromossoma Y. Desse par de cromossomas sexuais, um é proveniente da mãe e outro do pai.  Nos seres humanos o sexo do recém-nascido depende do tipo de esperma que fazer a fertilização. Se o espermatozóide que fertiliza o óvulo carrega o cromossomo X o zigoto resultante vai dar origem a uma menina (XX) e se o espermatozóide que fertiliza o óvulo carrega o cromossomo Y, o zigoto vai dar origem a um menino (XY). A probabilidade de o nascimento de um menino ou uma menina é exatamente o mesmo.

A conclusão que os cientistas evolucionistas chegaram para negar a origem dos seres humanos a partir de Adão e Eva, foi que seria impossível ela ter surgido ou “nascido” apenas do homem, aja visto, não ser possível a mulher (Eva) ter o mesmo material genético de Adão. Se deste ponto de vista Eva tivesse surgido de Adão, ela seria um clone; não poderia gerar descendentes do sexo feminino, pois não carregaria os cromossomos XX encontrados apenas em mulheres; Teria os mesmos cromossomos de Adão: XY; Teria o mesmo sexo de Adão e Teria o mesmo DNA de Adão.

Acontece que Eva não foi “nascida” de Adão e sim “criada.” Há uma diferença de nascer e criado. Eva tinha parte do material genético de Adão; Deus mudou apenas um cromossomo e ficou assim (XX), cromossomos sexuais femininos. Estudos do DNA mitocondrial mostram que todos viemos de uma mesma mulher (EVA). Portanto, Eva foi criada por Deus de uma forma toda especial. Deus usou parte do material genético de Adão para fazer Eva. É por este motivo que o próprio Adão diz a respeito de Eva: “... Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada” (Gn 2.23).

A ciência é muito boa e eficaz quando trata de matéria exclusiva de sua competência, porém, quando tenta explicar aquilo que somente a fé pode, cai no ridículo de criar teorias infundadas, sem sentido e sem propósitos. Os que confiam cegamente na ciência são incapazes de crer no que a Bíblia diz a respeito do Deus criador de todas as coisas, a não ser que o próprio Senhor ilumine suas mentes para isso.  Diz o Dr. George Wald:

"Basta contemplar a magnitude dessa tarefa para admitir que a geração de um organismo vivo é impossível. Todavia, aqui, estamos nós – Como resultado, creio eu, da geração espontânea... a ideia razoável era crer na geração espontânea; a única outra alternativa seria crer no ato único, primário da criação sobrenatural. Não há uma terceira posição.”

Ou seja, o homem crê que tudo que existe surgiu do nada (geração espontânea), ou iluminado pelo Espírito do Senhor, crê na criação sobrenatural de Deus. Qual a sua posição?

Rev. Gilberto de Souza

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A DOR DO PECADO

A DOR DO PECADO

Segundo o Breve Catecismo de Westminster: “Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer transgressão desta lei” (BCW. Pergunta 14 – pág. 21), ou seja, “Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão” (1Jo 3.4). A Bíblia ensina que todos nascemos em pecado e indispostos a obedecer, cumprir e observar as leis de Deus. O desejo do homem natural não é satisfazer a vontade do SENHOR, mas a sua própria. Por mais que queiramos entender de outra maneira, o homem natural não aceita, e não entende as coisas (espirituais) de Deus pelo fato de sua natureza ser contrária à vontade d’Ele (1Co 2.14). O centro das emoções humanas, sua vontade e seus desejos são dispostos pelo pecado a querer somente aquilo que lhe convém, independente da vontade do Criador.

Qualquer pessoa em qualquer tempo ou época, desde Adão até nossos dias, e, independente de quem seja, é capaz de praticar atos de bondade e generosidade os quais comumente chamamos ‘boas obras’. A questão não é a capacidade que uma pessoa tem de realizar qualquer ato de beneficência; mas a questão fundamental é que nenhum ser humano que existe, já existiu ou venha a existir, tem capacidade espiritual em si mesmo para ser bom: “... Ninguém é bom se não um, que é Deus.” “Como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer [...] desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Mc 10.18b; Rm 3.10-12; 17,18).

Infelizmente a maioria dos chamados “crentes,” falam muito a respeito do pecado, mas sem discernir sua verdadeira ação no interior do homem. Na ótica dessa maioria, pecado é somente roubar, matar e adulterar; esquecem-se que o pecado reside no coração. O pecado não reside nalguma faculdade da alma, mas no coração, que na psicologia da Escritura é o órgão central da alma, onde estão as saídas da vida (Pv 4.23). E desse centro, sua influência e suas operações espalham-se para o intelecto, a vontade, as emoções – em suma, a todo homem, seu corpo inclusive. Em seu estado pecaminoso, o homem completo é objeto de desprazer de Deus [...] (Berckhof. Teologia Sistemática. Pág.216).

O abandono das Escrituras Sagradas (única regra de fé e prática) por parte da maioria dos evangélicos é uma realidade gritante em nossos dias. Preferindo adotar doutrinas baseadas em sentimentos e experiências extra corporais, a grande massa evangélica acaba abandonando a essência da vida cristã para vivenciar a amarga ilusão de uma experiência vazia, completamente destituída da graça de Deus - É aí que reside o perigo. A dor do pecado já não é mais sentida, não se ora por perdão genuíno, não se reconhece a necessidade de um Senhor e Salvador, e Deus tornou-se apenas um escravo para satisfazer os desejos de um coração depravado e inconverso. Parafraseando um corinho antigo: “O pecado não dói... Se o pecado doesse, muitos não pecariam temeriam a Deus, assim seria melhor [...] O pecado é uma lepra que o mundo contaminou. Todo cuidado é pouco, não seja um infrator [...] O pecado não dói...” (Jair Pires). Queira Deus que possamos todos os dias sentir a dor do pecado para que com sincero coração o busquemos para o arrependimento.

Rev. Gilberto de Souza

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A REGENERAÇÃO

A REGENERAÇÃO

A palavra regeneração, implica entre outras coisas, “renovar algo que perdeu sua essência; é o restabelecimento do que estava destruído ou ainda, simplesmente, renascimento”. Quando partimos do pressuposto da relação entre Deus e o homem, fica claro que a regeneração nesse sentido é uma obra criadora da parte d’Ele. É uma obra na qual não há lugar para a cooperação humana. Por isso, a salvação é obra exclusiva de Deus e não fruto do esforço ou capacidade humana. Tornamo-nos participantes da redenção adquirida por Cristo, pela eficaz aplicação dela a nós pelo seu Santo Espírito (BC. Pergunta 29. Pág.33). A regeneração é um ato de Deus pelo qual Ele implanta uma nova vida no homem.

A regeneração é necessária para que num sentido espiritual o homem morto em seus delitos e pecados volte a vida como nova criatura, tendo sido vivificado por Cristo para viver em novidade de vida, criado “em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Sem esta regeneração fica impossível a salvação, aja visto que o homem interior é modificado pelo novo nascimento em Cristo Jesus, pela obra de Deus e pela instrumentalidade do Espírito Santo que convence o homem perdido, do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). A regeneração é o princípio elementar da libertação da escravidão do pecado para uma vida na dependência da vontade de Deus: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).

Os elementos principais que compõem a regeneração são: “Geração” (ou a produção da nova vida), e o “Dar a Luz” (o nascimento), pelos quais a nova vida é trazida à luz. Ao mesmo tempo que Deus gera ou produz nova vida, Ele coloca esta mesma vida no mundo através do nascimento. Enquanto que gerar significa que Deus cria em nós uma nova mentalidade e um novo coração, nascer de novo significa ressurgir como uma nova criatura por intermédio de uma nova vida: “A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus (Jo 3.3). Os versículos clássicos de João 3, que usam a linguagem do “novo nascimento” ou “nascer de cima”, dão ao perfil da regeneração seus pormenores mais nítidos. Jesus diz que, a menos que se nasça de novo, não se pode ver o reino do céu. Sem a graça de Deus, os pecadores não podem encontrar a porta, muito menos entrar por ela. Em outro lugar, Jesus disse: “Sem mim nada podeis fazer”; e, em se tratando da salvação, “sem Deus nada é possível” (Bíblia de Estudo de Genebra. Pág.1233). Diz Berkhof:

“No sentido mais restrito da palavra, podemos dizer: Regeneração é o ato de Deus pelo qual o princípio da nova vida é implantado no homem, e a disposição dominante da alma se faz santa. Mas, a fim de incluir a ideia do novo nascimento, como também a da nova geração, será necessário complementar a definição com as seguintes palavras: “... e o primeiro exercício santo desta nova disposição é assegurado”.
Rev. Gilberto de Souza

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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

QUAL A ORIGEM DO HOMEM?

Há muitas teorias a respeito da origem do homem, mas nenhuma se sobressai mais do que a conhecida “Teoria da Evolução”. Todavia, esta ‘teoria’ tem encontrado caminhos assíncronos e de explicações diversas. Ela pode descrever, por exemplo, o homem como um descendente direto de determinada espécie de macacos, ou ainda, descrever tanto primatas como homens em uma evolução contínua, porém, em um período de tempo bem mais estendido. Outros defendem que o homem descende de animais inferiores, através de um processo natural, por algum tipo de força ainda desconhecida. Todavia, estas teorias teístas, são contrárias aos ensinamentos da Palavra de Deus. A Bíblia, categoricamente afirma, que Deus criou todas as coisas, inclusive o próprio ser humano: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança [...]” (Gn 1 26a); “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27); “Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (Gn 2.7); Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn 2.18); Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe” (Gn 2.21,22).

Quando lemos a seguinte sentença: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26), claramente percebe-se Deus trabalhando através de Seus Decretos e em conformidade ao Conselho da Sua vontade. Para entendermos a magnitude dessa criação, precisamos compreender o que são os Decretos de Deus e a relação deles com aquilo que foi criado, para só então, vislumbrar o todo. O Breve Catecismo nos orienta:

“Os decretos de Deus são o seu eterno propósito, segundo o conselho da sua vontade, pelo qual, para a sua própria glória, ele preordenou tudo o que acontece” (BC. Pergunta 7, pág.13).

Não restam dúvidas de que o ser humano não é fruto do acaso, nem descendente direto dos primatas, descendente de animais inferiores, e muito menos, fruto de uma evolução contínua. A palavra ‘teoria’ (do grego Theoria), diz respeito a um conjunto de ideias; a um conhecimento especulativo sem comprovação; a um entendimento descritivo puramente racional; a uma utopia, a uma irrealidade. Portanto, a Teoria da Evolução nunca deixará de ser apenas uma ‘teoria’. O homem foi criado por Deus: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.36).

“A obra de Deus na criação do homem não foi mediata”, diz Berkhof (Teologia Sistemática. Pág.168), ou seja, Não se encontra em relação com a criação direta, imediata do homem. Deus criou as demais coisas através de um ato de verbalização, onde Ele fala, e do nada tudo surge numa sincronia espaço-temporal (ato mediato). Ao contrário, a criação do homem foi um ato imediato (um ato direto). Confira: “Criou Deus, pois o homem” (Gn 1.27). O corpo físico, formado por Deus, teve como matéria prima o “pó da terra” (Gn 2.7a). Já a alma não foi produzida de material preexistente, mas criada (Gn 2.7b). Portanto, o homem tornou-se um ser vivo (alma vivente) com a combinação de dois elementos essenciais. A saber: corpo e sopro de vida (ou ainda, espírito de vida).

Como descendência de Adão, toda humanidade carrega consigo as consequências trágicas do pecado: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12). Segundo a Confissão de Fé de Westminster:

“Sendo eles o tronco de toda a humanidade, o delito de seus pecados foi imputado a seus filhos; e a mesma morte em pecado, bem como a sua natureza corrompida, foram transmitidas a toda a sua posteridade, que deles procede por geração ordinária” (CFW. Da queda do homem, do pecado e do seu castigo. Cap.VI.I, Pág.57,60).

A origem do homem está em Deus. A Bíblia Sagrada nos aponta essa direção. A natureza e as obras da criação revelam a grandeza de um Deus (Hb 11.3) que modelou para sua glória e trouxe a existência a maior obra de todas – o ser humano, coroa da criação (Sl 8.5). Diz a Confissão de Fé de Westminster:  
                   
“Depois de haver feito as outras criaturas, Deus criou o homem, macho e fêmea, com alma racional e imortal, e dotou-o de inteligência, retidão e perfeita santidade, segundo a sua própria imagem, tendo a lei de Deus escrita no coração deles [...]” (CFW. Da criação. Cap.IV.I, pág.46).

Rev. Gilberto de Souza

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