sábado, 20 de fevereiro de 2016

UMA QUESTÃO DE CONVERSÃO


"Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido" (Lucas 19.10)

          Zaqueu, o  publicano, foi convertido pelo Senhor em algum momento não registrado nas Escrituras Sagradas. Em algum ponto de sua vida ele sentiu aquele friozinho na barriga, o coração arder, o desejo impulsivo de chorar ao sentir o peso do próprio pecado. Não foi sem motivo que Zaqueu sentiu-se atraído pelo desejo quase que incontrolável de ir a Jesus. Sim, porque ninguém vai a Jesus por conta própria a não ser que tenha sido impactado pelo poder do Espírito do Senhor que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (João 16.8). "Ao procurar ver quem era Jesus (v.3)", Zaqueu já estava convertido. Mesmo não conhecendo a figura de Jesus em carne e osso, Cristo o Senhor, já habitava o coração que Ele mesmo converteu. É por este motivo que o Senhor mais tarde vai dizer: "...houve salvação nesta casa (v.9)".
          Não vamos nos deter com a multidão que o impedia de alcançar seu objetivo; bem sabemos que há inúmeros obstáculos na vida de um recém convertido, com Zaqueu não foi diferente. Zaqueu queria cumprir o desejo de seu novo coração, ver a Jesus, e motivado por este sentimento subiu em uma árvore. Ele não queria o louvor da multidão, não estava a procura de fama, sucesso, dinheiro ou qualquer outro meio de se promover. Ao querer subir o mais alto possível naquela árvore, Zaqueu simplesmente queria contemplar a face de Cristo. Isto significa dizer que Ele desejava ardentemente em seu coração uma comunhão santa e verdadeira com o doador da vida. Naquele momento, Zaqueu não estava pensando em suas posses, posição social ou riquezas, mas em somente vislumbrar aquele que já abitava seu novo coração.
          Assim como um genuíno novo convertido, Zaqueu desejou no íntimo do ser estar a sós com Jesus, nem que fosse apenas por alguns segundos. A oração sincera, vinda de um coração arrependido, sedento e grato é um tipo de "chamar a atenção do Senhor para si". Isso não quer dizer que não nos importamos com outros seres humanos que ao serem tocados por Cristo sentem o mesmo desejo pelo Senhor, pelo contrário, quando queremos chamar a atenção de Jesus para nós é porque desejamos que Ele continue a sua obra redentora em em nosso ser. 
          Outro sentimento comum a um novo convertido é o sentir-se "pequeno" diante da majestade soberana de Cristo e isto não tem nada a ver com estatura física, mas sim, com a pureza de Jesus diante da sujidade do pecado sobre nós. Quando Zaqueu recebeu a notícia de que Jesus pernoitaria com ele aquela noite, mais do que depressa desceu daquela árvore, e mesmo reconhecendo suas misérias espirituais, e que era passível da punição eterna por conta delas, recebeu a Cristo em sua casa com toda alegria da qual o próprio Senhor o havia revestido. Brota no coração deste novo convertido um sentimento que não havia antes. O desapego. 
          Mesmo antes de Jesus se convidar para passar a noite na casa de Zaqueu, este, com certeza já sentia em seu coração o desejo de que Jesus entrasse em sua casa. Neste sentido, "entrar em sua casa", significa o desejo de que o Senhor continue o trabalho de santificação a qual ele havia experimentado em seu coração. Zaqueu havia construído a sua casa na areia, mas agora sabia que chegara o momento de estruturá-la solidamente sobre a rocha. Feridas emocionais e espirituais precisavam ser extirpadas, removidas. Era preciso aprender o caminho da Santidade, era preciso deixar de amar o mundo para amar somente a Cristo.
          O maior milagre ocorrido na vida de Zaqueu não aconteceu porque ele quis, mas porque o Senhor o quis. Ele não foi salvo porque estava são, mas porque estava doente, não porque estava salvo, mas porque ainda estava perdido. É por isso "que o Filho do Homem (Jesus Cristo) veio buscar e salvar o perdido" (Lc 19.10). Zaqueu só foi salvo porque sabia que sem Jesus ele estaria perdido. Qual a sua situação diante de Deus? Você ainda continua depositando sua confiança em seus próprios méritos ou já consegue reconhecer a sua total incapacidade e dependência de Cristo?

No amor de Jesus Cristo,

Rev. Gilberto de Souza

terça-feira, 9 de setembro de 2014

CRISTÃOS VERDADEIROS PODEM COMETER SUICÍDIO?


      Vamos considerar a seguinte pergunta: O que é o suicídio e o que leva uma pessoa a cometê-lo? Suicídio é o ato de tirar a própria vida intencionalmente. O suicida e os comportamentos suicidas normalmente ocorrem devido a transtorno de personalidade, depressão, dependência de drogas ou álcool. As pessoas que cometem suicídio normalmente estão tentando fugir de uma situação de vida que lhes parece impossível de enfrentar. Muitas estão buscando alívio por sentirem-se envergonhadas, culpadas ou serem um peso para os demais; sentirem-se vítimas; terem sentimento de rejeição, perda ou solidão. Os comportamentos suicidas podem ser causados por uma situação ou acontecimento que a pessoa encara como devastador, por exemplo, envelhecimento (entre os idosos há maior taxa de suicídios), a morte de uma pessoa querida, dependência de drogas ou álcool, trauma emocional, doença física grave, desemprego ou problemas financeiros. A maioria das tentativas de suicídio não resulta em morte. Muitas delas são feitas de forma que o resgate seja possível. Algumas pessoas tentam o suicídio de forma não violenta, como envenenamento ou overdose. Os homens, principalmente idosos, têm mais probabilidade de escolher métodos violentos, como atirar em si mesmos. Como resultado, as tentativas de suicídio de homens têm mais chances de resultar em morte. Os parentes de suicidas, muitas vezes, culpam-se ou ficam furiosos. Eles podem ver o suicídio como um ato egoísta. No entanto, as pessoas que tentam cometê-los, em geral, acreditam erroneamente que, ao deixar o mundo, estão fazendo um favor a seus amigos e parentes.

      Muitas vezes, mas não sempre, uma pessoa pode apresentar determinados sintomas ou comportamentos antes de uma tentativa de suicídio, incluindo: a)Ter dificuldade para se concentrar ou pensar claramente; b) doar seus pertences; c) falar sobre ir embora ou sobre a necessidade de “organizar minhas coisas”; d) mudar repentinamente de comportamento, principalmente estado clamo após um período de ansiedade; e) perder interesse em atividades em que costumava se divertir; f) ter comportamento autodestrutivos, como beber muito álcool, usar drogas ilegais ou cortar o próprio corpo; g) afastar-se dos amigos ou não querer sair; h) repentinamente, começar a ter problemas na escola ou no trabalho; i) falar sobre morte ou suicídio, ou mesmo dizer que quer se ferir; j) dizer que se sente desolado ou culpado; l) mudar hábitos de sono ou de alimentação.

      Em suma, o suicida é uma pessoa totalmente alheia e mentalmente indisposta a responder positivamente à vida. É incapaz de procurar em Deus a paz e o refrigério que emana da graça divina. O crente, apesar da possibilidade de cair em pecado, das tentações de Satanás e do mundo, e ainda que passe pela pior tribulação ou sofrimento, repousa seguro nas promessas do Senhor: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1Co 10.13). O verdadeiro cristão pode até imaginar que a morte seja verdadeiramente um descanso para a alma sofredora, e de fato é, mas nunca a morte através do suicídio: “Porque não queremos irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. Contudo, já em nós mesmos, tivemos a setença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos; o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; em quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos...” (2Co 1.8-10). O regenerado não pode cair totalmente (viver na prática do pecado) e nem finalmente (sucumbir à morte sem Cristo) do estado de graça em que se encontra, porque Deus o guarda na segurança da salvação. Diz a Confissão de Fé de Westminster:

Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, os que ele chamou eficazmente e santificou pelo seu Espírito, não podem cair do estado de graça, nem total nem finalmente; mas com toda a certeza hão de perseverar nesse estado até o fim, e estarão eternamente salvos.

      De todos os pecados que o homem pode cometer contra si mesmo e contra a Santidade de Deus, o único que nega veemente a eficácia da operação do Senhor através do Espírito Santo, o qual tem por missão convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo (Rm 16.8) é o suicídio. Este é a forma mais cruel de alguém dizer adeus. Não há chance para apelação ou reconsideração. O suicídio é uma declaração pública de protesto contra a vida, contra pessoas, contra situações e contra Deus. Acima de tudo, é o grito da alma contra a operação regeneradora e salvadora do Espírito Santo de Deus. É a falta de fé no Deus que é capaz de suprir todos os anseios da alma. O suicídio não é o grito desesperado de uma alma sofredora, mas sim o reflexo de uma alma inconversa, perdida, vazia, sem esperança, sem fé, sem Deus, sem vida e condenada à morte eterna: “Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1Co 6.19).

      A Bíblia fala do pecado imperdoável. Um pecado que não será perdoado, nem neste mundo nem no vindouro. Quem pode praticar esse pecado? Aqueles que não foram chamados por Deus à salvação. O que torna diferente dos outros o pecado imperdoável é a relação com o Espírito Santo. Se alguém destrói o templo do Espírito Santo (o corpo), como pode esta mesma pessoa pensar que será salva? “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado” (1Co 3.16,17). “E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele...”  (Rm 8.9b). Se de fato um cristão sincero e verdadeiro comete suicídio, a obra redentora de Cristo por intermédio do Espírito Santo se torna inútil. A Bíblia é categórica em afirmar que quem convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo é justamente o Espírito Santo. Ele nos converte da morte para a vida e não o contrário: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados... Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo...” (Ef 2.1,4,5). Além de nos dar a vida, somos capacitados por Deus a suportar as mais terríveis provações possíveis: “... os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8.18). “Quem nos separará do amor de Cristo? será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? ... Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.35,37-39).

      A obra do Espírito Santo é iluminar a mente dos pecadores (Ef 1.17,18), revelar e ensinar o evangelho (Jo 14.26), persuadir as almas a arrepender-se e crer na verdade (At 7.51). O Espírito não só explica a Palavra de Deus, mas também abre a mente de modo que a palavra possa ser entendida. Negar esta revelação é nunca ter tido uma verdadeira experiência de conversão. Quando a influência do Espírito é deliberada e conscientemente recusada, em oposição à luz, então o pecado irreversível pode ser cometido como um ato voluntário e deliberado. Em resposta a essa atitude, há um endurecimento do coração, vindo da parte de Deus, que impede o arrependimento e a fé (Hb 3.12,13). Qualquer pessoa que nasceu de novo não cometerá esse pecado, porque o Espírito vive nela e Deus não está dividido contra si mesmo (1Jo 3.9). Os outros versículos que tratam do pecado imperdoável são: Hb 6.4-6; 10.26-29; 1Jo 5.16,17. Esses versículos mostram que a possibilidade de esse pecado ser cometido depende de ter havido iluminação e entendimento específico da parte de Deus.

     O suicídio é pecado imperdoável, porque quem tira a sua própria vida, definitivamente, não crê em Deus e muito menos na operação redentora e regeneradora do Espírito Santo sobre ela. A Bíblia fala dos que morreram em Cristo, não dos que se suicidaram em Cristo, ou por Cristo, ou ainda, sem Cristo (1Ts 4.16). Para os que dão cabo da própria vida, tudo é motivo para fazê-lo, mas o cristão verdadeiro, apesar das circunstâncias e adversidades, sabe muito bem esperar em Deus: “Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5b). Por que o cristão desejaria se matar, se o próprio Jesus Cristo prometeu paz, alertou sobre as aflições desta vida e orientou-nos a ter bom ânimo? (Jo 16.33). O verdadeiro cristão não se suicida; ele foi salvo da morte e não para a morte: “quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida” (1Jo 5.12).

      Os suicidas fazem parte daquele grupo denominado “não-eleitos”; independente de quem sejam ou o nome que os caracterize: podem ser pessoas comuns, pastores, filhos de pastores, sacerdotes, crentes, os assim chamados nominalmente cristãos etc. Ainda que tenham sido chamados pelo ministério da Palavra e tenham um certo conhecimento de Deus, e mesmo tendo vivenciado experiências pelo Espírito, não serão em tempo nem por meio algum salvos: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” (Mt 7.22,23) A Confissão de Fé de Westminster diz:

Os não-regenerados, ainda que sejam chamados pelo ministério da Palavra e tenham algumas das operações comuns do Espírito, contudo jamais chegam a Cristo e, portanto, não podem ser salvos; muito menos poderão ser salvos por qualquer outro meio..., por mais diligentes que sejam em conformar sua vida de acordo com a luz da natureza e com a lei da religião que professam; asseverar e manter que o podem, é muito pernicioso e detestável.

CONCLUSÃO
      O santuário descrito em 1 Coríntios 3.16 e 17 diz respeito ao nosso próprio corpo. Imaginemos, agora, as muitas formas de destruir esse santuário. O suicídio é uma delas. O verdadeiro cristão é capaz de cometer pecados, mas não o pecado imperdoável. A diferença é que, como nova criatura em Cristo, ele pode rejeitar o pecado, e, mesmo que venha a praticá-lo, a sua consciência está cativa à Cristo e não mais escrava do pecado para satisfazer a sua vontade. João escreve: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 2.1).

      Jesus morreu somente pelos eleitos, ou seja, para perdoar somente os pecados deles: “...Além dos eleitos não há nenhum outro que seja remido por Cristo, eficazmente chamado, justificado, adotado, santificado e salvo” (Confissão de Fé de Westminster. Decretos, p.39). Os sintomas mais característicos de um suicida é a repulsa pela vida e a falta de fé em tudo, principalmente em Deus. A Bíblia ensina que “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus...” (Hb 11.6a). Sem fé é impossível converter-se para a salvação: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).

     O cristão, por causa das lutas e tribulações, pode até desejar morrer para estar com cristo (Fp 1.23), mas nunca desejar tirar a própria vida para isso (Fl 1.21); ou seja, para o apóstolo Paulo, Cristo é sua razão de existir. Ao invés de desfazer a união que Paulo tem com Cristo, a morte vai introduzir Paulo em uma experiência mais profunda. Paulo deseja estar com Cristo, mas também deseja permanecer na terra por causa da igreja. Este é o dilema. Contudo, a decisão está nas mãos de Deus, e Paulo está confiante de que Deus tem mais trabalho para ele entre os filipenses. Moisés, por exemplo, não desejou suicidar-se por causa dos problemas. Assim como Jó, Elias, Jeremias e tantos outros servos de Deus, todos passaram por problemas a ponto de querer, como Paulo, estar com o Senhor pela morte, e não pelo suicídio. Quanto aqueles que deram testemunho de vida cristã, mas se suicidaram? Jesus responde: “Nem todo o que me diz: Senhor! Entrará no reino dos céus...” (Mt 7.21).

      O suicídio não faz e nunca fez parte da nova natureza do cristão. Davi chegou ao ponto de tirar a vida de alguém, arrependeu-se sinceramente e, durante sua vida, sofreu as amargas consequências desse erro. Mesmo assim, por conta dessa culpa, não cometeu suicídio. Diz a Bíblia: “O homem bom cuida bem de si mesmo, mas o cruel prejudica o seu corpo” (Pv 11.27). Ninguém tem direito de acabar com a vida que não lhe pertence, mesmo que essa vida seja a sua: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1Co 6.19).


Rev. Gilberto de Souza

segunda-feira, 7 de abril de 2014

PRÉ-REQUISITO: UM ATESTADO DE CAPACIDADE

      As maiores e melhores empresas do mundo tem investido pesado na contratação de mão de obra especializada, ou seja, para os que almejam bons cargos e salários atrativos, se faz necessário agregar alguns pré-requisitos que os tornam capazes de desempenhar determinadas funções exigidas pelo contratante. Na esfera religiosa a diferença está em que a igreja não é uma empresa, seus membros não são funcionários e seus oficiais não são chefes, gerentes ou patrões. Noventa por cento do trabalho realizado na igreja se faz por intermédio do voluntariado, aja vista, poucas exceções. Na igreja, a “empresa” é o reino de Deus, os “funcionários” são os eleitos, os “cargos” são funções, o “salário” é a vida eterna e o “dono de tudo” é nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

     Para desempenhar determinada função em determinada área de atuação, e, para ser bem sucedido naquilo que faz, é necessário que a pessoa ame o que deseja e tenha qualificação (capacidade) para assumir responsabilidades. A capacidade é um fator determinante para um bom desempenho do trabalho, seja ele qual for. Fazer algo que não gosta ou que não está capacitado (apto) a fazer, só trará descontentamento, frustração, além de prejuízo ao trabalho que executa. É por isso que alguns pré-requisitos são necessários no sentido de se saber que quem vai assumir determinada função está apto para ela, e num outro sentido, preservar a obra de Deus. Além de tudo o que já foi dito, o mais importante é a certeza e a convicção do chamado de Deus para a obra.

     O que Deus deseja para a Sua obra não são pessoas fascinadas pelo poder, pela fama, pelos aplausos ou reconhecimento dos homens, mas aptas e dispostas a doar-se em prol da causa de Cristo, desempenhando da melhor maneira possível o ministério (a função) pela qual foram chamadas por Deus. O que o Senhor deseja são pessoas que apontem à Cristo e não a si mesmas. Que sejam humildes e agradecidas, amem aquilo que fazem, e o que fazem façam-no por prazer e não por obrigação. Você tem este chamado?

Em Cristo,

Rev. Gilberto de Souza

quinta-feira, 27 de março de 2014

POR QUE DEUS PERMITE O SOFRIMENTO, A TRISTEZA, A DOR, AS TRAGÉDIAS, E QUE O HOMEM SEJA LANÇADO NO INFERNO SENDO ELE (DEUS) TÃO BOM COMO DIZEM?

Deus criou o homem por um ato especial de amor: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27); “... Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí” (Jr 31.3); “... o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Rm 5.5); “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus [...]” (1Jo 3.1). Deus não nos criou para um outro propósito senão o de glorifica-lo e o de sentir prazer n’Ele: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31; cf. Ef 1.5,6; Rm 14.7,8).

Deus criou o homem perfeito: “Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus de glória e de honra o coroaste” (Sl 8.5). Criou o homem livre com capacidade de tomar decisões e de fazer escolhas: “... e o homem passou a ser alma vivente” (Gn 2.7); “... tenha ele domínio sobre...” (Gn 1.26); “... enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre...” (Gn 1.28); “... De toda árvore do jardim comerás livremente...” (Gn 2.16); “Deu nome o homem a todos os animais...” (Gn 2.20).

Deus estabelece com o homem uma única condição: “E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16,17); “... Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais” (Gn 3.2,3).

Se o homem escolhesse desobedecer (por livre e espontânea vontade), a consequência do seu ato seria a entrada do pecado no mundo, a morte e com ela todas as demais maldições advindas dessa decisão: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12). Por causa da desobediência do Éden, o homem morre: “... porque o salário do pecado é a morte...” (Rm 6.23); Por causa da desobediência do Éden, o homem sofre: “E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio a dores darás à luz filhos...” (Gn 3.16); “... em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida [...]. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra...” (Gn 3. 17 e 19). Por causa da desobediência do Éden, o homem está sujeito as tragédias e catástrofes naturais: “E a Adão disse [...], maldita é a terra por tua causa...” (Gn 3.17); “Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (Rm 8.22). Por causa da desobediência do Éden, o homem está destinado à perdição eterna. Diz Jonathan Edwards:

“Os ímpios já estão debaixo da sentença de condenação ao inferno. Eles não só merecem ser lançados ali, mas a sentença da lei de Deus, esse preceito de eterna e imutável retidão que o Senhor estabeleceu entre si mesmo e a humanidade, também se coloca contra eles, e assim os mantém. Portanto, tais homens já estão destinados ao inferno. "...o que não crê já está julgado." (Jo 3.18). Assim, todo impenitente pertence, verdadeiramente, ao inferno. Ali é o seu lugar, ele é de lá, como temos em João 8.23: "vós sois cá debaixo" e para lá é destinado. Este é o lugar que a justiçam, a Palavra de Deus e a sentença de sua lei imutável reservam para ele” (Pecadores nas mãos de um Deus irada - Sermão pregado em 08 de Julho de 1741 em Enfield, Connecticut – EUA).

CONCLUSÃO:

Somos acostumados a questionar Deus por conta do sofrimento, da dor, das tragédias ocorridas no mundo e em nossas próprias vidas, da tristeza, do infortúnio, etc., sem nos apercebermos de que todas estas coisas ocorrem por causa da desobediência do homem no Éden e não por causa de Deus.   O homem é a causa da sua própria desgraça: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu...” (Gn 3.6); “Porque de dentro do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem” (Mc 7.21-23); “De onde procedem guerras e contendas que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” (Tg 4.1). Ainda que o Senhor ame suas criaturas, o amor d’Ele não anula a sua justiça: “Amas a justiça e odeias a iniquidade...” (Sl 45.7); “...Tão somente no Senhor há justiça e força...” (Is 45.24).

Quando Deus estabelece a Sua Aliança com Adão, e consequentemente com toda raça humana através dele, estabelece também consequências advindas da quebra desta Aliança para correção, castigo e punição dos infratores. As consequências da quebra da Aliança são de exclusiva responsabilidade do homem. Deus é Santo, Justo e Verdadeiro: “...Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto” (Dt 32.4). O Senhor apenas aplica com justiça e retidão o castigo que merece o faltoso. Se Deus disse a Adão que a consequência da sua desobediência seria a morte, isto implica dizer que se o homem desobedecesse a Deus, Ele justamente teria que aplicar a pena imposta pela ação voluntária de Adão. É por isso que Deus não pode voltar a traz com a sua palavra: “...porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir” (Jr 1.12). Se o Senhor simplesmente perdoasse Adão no ato da desobediência, Ele deixaria de ser justo e cumpridor da sua palavra. Deixaria de ser Deus.

A consequência da desobediência do homem no Éden, trouxe a morte e com ela todas as demais desgraças que afligem a humanidade desde então. Todos, sem exceção, nascemos mortos em nossos delitos e pecados e condenados ao inferno para sempre: “...porque todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Jo 3.23). Mas, “...aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação” (1Co 1.21). É Deus quem nos convence do pecado, da justiça e do juízo por intermédio do Espírito Santo (Jo 16.8); É Deus quem nos salva do poder da morte do pecado pela Sua Graça (Ef 2.4-9); É Deus quem nos escolhe para a salvação e nos designa para sermos participantes da Sua obra (Jo 15.16; cf. 3.27; 6.37,44); É Deus quem aplacou a sua ira contra os eleitos aceitando de bom grado a oferta propiciatória do sacrifício do seu único filho em nosso lugar: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10; cf. Jo 3.16).

Por que Deus permite o sofrimento, a tristeza, a dor, as tragédias, e que o homem seja lançado no inferno? Eu responderia: “Porque ele mesmo (o ser humano) se colocou nessa condição, escolhendo livremente a morte ao invés da vida, maldição ao invés da benção, o pecado ao invés de Deus. Ele simplesmente respeita a vontade humana”. Que motivos temos para culpar Deus pelas nossas más escolhas? “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! (Rm 9.22).

Rev. Gilberto de Souza

  

segunda-feira, 24 de março de 2014

DEUS NOS AMA, E ISTO É O SUFICIENTE

       Por muitas vezes chegamos a duvidar que Deus nos ama tanto quanto as pessoas dizem que Ele possa nos amar. E, independente das vezes que Ele mesmo diga isso por intermédio das Escrituras, e por inúmeras vezes por intermédio de seus ministros em pregações, continuamos a questionar o Seu amor. Duvidamos do amor de Deus quando perdemos o rumo, o foco, quando desanimamos. Desanimamos quando deixamos de confiar em Deus e passamos a confiar naquilo que podemos realizar. Infelizmente, a maioria dos crentes cria expectativas em cima de suas realizações, dos seus feitos e de suas capacidades. Se a coisa está dando certo é graças a mim, se está dando errado, a culpa é sempre dos outros ou de Deus.

     Existem pessoas que enxergam a igreja como apenas um negócio; daí dizer: “pequenas igrejas, grandes negócios”. Igreja não é organização e nem instituição religiosa; a igreja é um organismo vivo. A igreja organização ou instituição é apenas um local onde a verdadeira igreja que são pessoas, se reúnem para cultuar a Deus. Precisamos entender que o evangelho é difícil de ser assimilado, entendido, aceito e praticado pela maioria que não quer se relacionar com Deus. Alguns dos melhores sermões que já foram pregados, foram pregados para uma minoria interessada. Algumas das mais fantásticas manifestações de Deus aconteceram entre um punhado de crentes reunidos em nome de Jesus Cristo. Nós não precisamos flertar com o mundo e nem trazer o mundo para dentro da igreja a fim de agradar homens. Deus converte homens pela pregação da Palavra. Nós não deveríamos usar a sabedoria do mundo, deveríamos nos servir da sabedoria de Deus.

     A questão não é quão útil podemos nos tornar ou quão bem sucedidos nossos ministérios parecem ser – É sobre ser moldado à imagem de Cristo. Tudo em nossas vidas deveria convergir para nos moldar a Cristo. Deus não é servido por mãos humanas como se ele precisasse algo de nós. É Ele quem nos concede o privilégio de participar na grande obre que Ele está realizando. O grande objetivo de Deus não é nos tornar servos bem-sucedidos, mas sim, nos conformar a imagem de Jesus Cristo. Não precisamos ser bem-sucedidos aos olhos do mundo ou poderosos, eloquentes, ou qualquer outra coisa. Por que? Porque simplesmente “somos amados por Deus”. E quem somos para sermos amados por Ele? Somos tão impuros, tão injustos e tão ignorantes sobre as coisas mais profundas de Deus que deveríamos nos envergonhar por ter pensado um dia que eramos auto-suficientes. Deveríamos nos envergonhar por ter pensado que poderíamos ser amados por Deus se tão somente nos esforçássemos para isso.

     Enquanto a nossa alegria, a nossa segurança e tudo mais vierem do nosso desempenho, passaremos o resto de nossas vidas desanimados, desiludidos e o que é pior, atormentados pela insegurança, pelas dúvidas e incertezas da vida. Não precisamos ser grandes, espertos, eloquentes, ter ministérios tremendos e nem ser famosos… “Deus nos ama! E isto é o suficiente”. O maior ato de Fé é olhar no espelho da Palavra de Deus e ver todas as nossas falhas, todos os nossos pecados, todas as nossas deficiências, todas as nossas imperfeições e mesmo assim acreditar que Deus, apesar disso, nos ama exatamente como Ele diz que nos ama. E Ele realmente nos ama.     


Em Cristo,

Rev. Gilberto de Souza

sexta-feira, 7 de março de 2014

DESTINADOS AO INFERNO OU PREDESTINADOS A SALVAÇÃO?

DESTINADOS AO INFERNO OU PREDESTINADOS A SALVAÇÃO?

DESTINO COMO ENSINAMENTO FILOSÓFICO-RELIGIOSO

A palavra “destino” no sentido filosófico-religioso é geralmente concebido como uma sucessão inevitável de acontecimentos relacionada a uma possível ordem cósmica. Portanto, segundo essa concepção, o destino conduz a vida de acordo com uma ordem natural, da qual nada que existe pode escapar.1 O destino é descrito ainda, como uma força ou poder que controla tudo e a todos sem levar em conta a liberdade, a capacidade de autodeterminação racional, a escolha inteligente de certos fins e a responsabilidade do homem diante de seus próprios atos. Sendo assim, o homem não passa de um mero marionete nas mãos do destino. Apesar disso, o decreto de Deus não é incoerente com a livre ação do homem. Destino não tem nada a ver com Deus. Deus não decretou realizar por sua ação pessoal e direta o que quer que venha a acontecer2 - Veremos mais adiante quando trataremos do assunto predestinação. O conceito de destino sofisticou-se com o tempo. Ele se tornou fundamental para a filosofia e a religião. E continua até hoje. Tanto que uma das doutrinas mais antigas sobre o assunto ainda está em voga: a do carma, elaborada há menos de 3 mil anos na índia. De acordo com ela, nada acontece por acaso: todos os fatos na vida de um indivíduo são consequência de suas ações em existências passadas. “Nosso caráter é resultado total de nosso passado, e o nosso futuro será determinado por nosso presente”.3 Alguns atribuem personalidade ao destino, chegando ao ponto de adorá-lo como um deus.

DESTINO COMO FATALISMO

Outra teoria ensinada em relação ao destino é a do “fatalismo”. O fatalismo é um sistema no qual tudo que acontece é atribuído ao destino. Esta outra doutrina não pode ser comparada ao decreto divino e a predestinação ou eleição. O decreto divino só dá certeza aos eventos, mas não implica que Deus os realizará ativamente.4 Por fatalismo entende-se um sistema no qual as escolhas e decisões humanas não fazem diferença alguma. No fatalismo, não importa o que façamos, as coisas continuarão seguindo seu curso previamente determinado. Portanto, é inútil tentar influenciar o resultado do eventos ou o resultado de nossa vida esforçando-nos ou fazendo algumas escolhas importantes, porque, seja como for, não farão diferença alguma. No verdadeiro sistema fatalista, naturalmente, nossa humanidade é destruída porque nossas escolhas realmente nada significam, e nossa motivação em direção aos princípios morais é eliminada.5 Diferente da doutrina do destino e do fatalismo, a predestinação ou eleição não isenta os seres humanos de liberdade e responsabilidade, muito pelo contrário: “Deus dotou a vontade do homem de tal liberdade natural, que ela nem é forçada para o bem nem para o mal, nem a isso é determinada por qualquer necessidade absoluta de sua natureza.5  ... cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz” (Tg 1.14).

DESTINO COMO LUGAR, DIREÇÃO, RUMO, CAMINHO ETC.

Destino, acima de tudo, é a direção, o rumo, o caminho natural que o homem escolhe para chegar a determinado fim. O destino do homem está intimamente ligado a desobediência no Éden (Gn 2.15-17). Ao transgredir o mandamento de Deus, o homem se lançou definitivamente no inferno (Sl 9.17; Rm 5.12; 6.23a; Jo 8.34; Is 59.2; Rm 3.23; 3.10-18; 2.5; 1.28-32). Portanto, o destino do homem foi traçado por ele mesmo no momento em que escolheu pecar. Enquanto que “destino” fala do caminho natural do homem e suas consequências, a predestinação é o caminho de Deus para os escolhidos em Cristo Jesus para a salvação. É um erro pensar que pessoas irão para o inferno por causa deste ou daquele pecado. Por causa do pecado todos nascemos destinados ao inferno. Não somente o merecemos, mas também estamos condenados a ele. A diferença é que pela Graça de Deus, alguns foram escolhidos para saírem de lá.

Falando sobre a morte em Gênesis 3.19 como consequência do pecado, Misael Batista do Nascimento diz:

“... após a queda, a morte é apontada como destino certo."7

No sermão pregado por Jonathan Edwards em 08 de julho de 1741 em Enfield, Connecticut – EUA, ele diz:

"Os ímpios já estão debaixo da sentença de condenação ao inferno. Eles não só merecem ser lançados ali, mas a sentença da lei de Deus, esse preceito de eterna e imutável retidão que o Senhor estabeleceu entre si mesmo e a humanidade, também se coloca contra eles, e assim os mantém. Portanto, tais homens já estão destinados ao inferno. "...o que não crê já está julgado." (Jo 3.18). Assim, todo impenitente pertence, verdadeiramente, ao inferno. Ali é o seu lugar, ele é de lá, como temos em João 8.23: "vós sois cá debaixo" e para lá é destinado. Este é o lugar que a justiçam, a Palavra de Deus e a sentença de sua lei imutável reservam para ele."8

Várias passagens da Escritura ensinam que o pecado é herança do homem desde a hora do seu nascimento e, portanto, está presente na natureza humana tão cedo que não há possibilidade de ser considerado como resultado de imitação, Sl 515; Jó 14.4; Jo 3.6. Em Ef 2.3 o apóstolo Paulo diz que os efésios eram “por natureza” Filhos da ira, como também os demais. Nesta passagem a expressão “por natureza” indica uma coisa inata e original, em distinção daquilo que é adquirido. Então o pecado é uma coisa original, da qual participam todos os homens e que os faz culpados diante de Deus. Além disso, de acordo com a Escritura, a morte sobrevém mesmo aos que nunca exerceram uma escolha pessoal e consciente, Rm 5.12-14 [...]. Há uma profunda verdade no pronunciamento de Agostinho de que o pecado também é punição do pecado. Significa que o estado e a condição pecaminosa em que o homem nasce, por natureza fazem parte da penalidade do pecado [...]. O pecado separa de Deus o homem, e isso quer dizer morte, pois é só na comunhão com o Deus vivo que o homem pode viver de verdade [...] O pecado é sempre uma influência corruptora na vida, e isso é parte da nossa morte.9 É nesse sentido que o homem está destinado ao inferno.

O CAMINHO DA PREDESTINAÇÃO

Enquanto que o “destino” é o caminho que o homem escolheu pela desobediência no Éden: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12), todo gênero humano, pela sua queda, perdeu a comunhão com Deus, está debaixo de sua ira e maldição, e assim ficou sujeito a todas as misérias nesta vida, à própria morte e às penas do Inferno para sempre.10 O homem tinha duas escolhas: viver eternamente com Deus para o Seu louvor e glória, ou sofrer eternamente as consequências de uma vida separada d’Ele. Por livre e espontânea vontade o homem selou seu destino quando escolheu o caminho da desobediência. A Predestinação não tem absolutamente nada a ver com o destino no sentido filosófico-religioso, e nem com o fatalismo que ensinam que as decisões e escolhas humanas não fazem diferença alguma. Na predestinação, Deus não viola a liberdade, a consciência e a responsabilidade do homem quanto a suas escolhas e decisões: Desde toda a eternidade e pelo mui sábio e santo conselho de sua própria vontade, Deus ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou a contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.11 Nada que o homem pense, deseje ou faça, é capaz de mudar os designios e decretos de Deus. Deus não predestinou pessoas para o inferno e sim, para a vida eterna. A predestinação para a vida é um ato puramente soberano, ao passo que o destino para a morte eterna é também judicial e leva em conta o pecado do homem. O homem traçou seu destino eterno pela escolha no Éden - não há como voltar atrás; é por isso todos nascemos condenados ao inferno. Deus elege soberanamente alguns para a vida e outros simplesmente os deixa na condição que já se encontram. João Calvino diz:

“Ninguém vai para o inferno. Alguns saem dele”(Ef.2.1,5; Cl. 2.13; Ap.2.11; Ap.20.6,14).

Rev. Gilberto de Souza

REFERÊNCIAS
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1Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: <pt.wikipedia.org/wiki/Destino>. Acesso em: 03 mar. 2014.
2,4,9BERKHOF, LOUIS. Teologia Sistemática; traduzido por Odayr Olivetti. – 4ª Ed. Revisada_São Paulo: Cultura Cristã, 2012. Pág.100,223 e 240.
3Botelho, José Francisco e Versignassi, Alexandre. Destino Existe? Disponível em: <super.abril.com.br>. Acesso em: 03 mar. 2014.
5GRUDEM, Weyne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
6,11Confissão de Fé de Westminster/Assembleia de Westminster – 18. Ed. – São Paulo: Cultura Cristã, 2008 p.113, 33 Cap.IX, III – Do Livre-Arbítrio - I, Dos Eternos Decretos de Deus – I.
6SCHERRE, Vanderson. A vida eterna – 1 Corintios 2.9. Quinta-feira, 29 de Setembro 2013. [Internet]. Disponível em: <http://pitadinhadedoutrina.blogspot.com.br>. Acesso em: 06 de mar. 2014.
7NASCIMENTO, Misael Batista. OS DEZ MANDAMENTOS Os preceitos do Deus da aliança – Expressão – Lição 8 da EBD. Revista do aluno. Ed. Cultura Cristã. 1º Trimestre – 2014. Pág.36
8EDWARDS, Jonathan. PECADORES NAS MÃOS DE UM DEUS IRADO. Disponível em: <http://monergismo.com>. Acessado em: 05 mar. 2014. 
10O Breve Catecismo / Assembleia de Westminster (1643 a 1652); [tradução Igreja Presbiteriana do Brasil]. – 2.ed. – São Paulo: Cultura Cristã. Pergunta 19. pág.24.

A CRIAÇÃO DE EVA

A CRIAÇÃO DE EVA

Se considerarmos a fé como base sólida para uma explicação coerente da obra sobrenatural da criação de Deus, os fatos e acontecimentos descritos na Sagrada Escritura serão assimilados de forma natural. Porém, se racionalizarmos a obra da criação como sendo um produto da evolução ou fruto do acaso, será impossível crer, até mesmo, na existência de um Deus criador e sustentador de todas as coisas. Um dos maiores questionamentos a respeito da criação, continua sendo o da origem da humanidade. Neste artigo pretendo voltar-me a uma pergunta em particular que não deixa de ter implicações diretas também com a criação do homem: Como surgiu a mulher? A Bíblia relata este fato da seguinte forma: “Então, o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe” (Gn 2.21,22). Pela fé e iluminação do Espírito Santo, os cristãos entendem perfeitamente esta revelação. Mas, e do ponto de vista científico? Como o Criacionismo Científico refuta o evolucionismo e explica a criação de Eva através da genética?

A Genética é o ramo da biologia que estuda a transferência das características físicas e biológicas de geração para geração. O material genético contém toda a informação necessária a existência de um organismo. É com base nesta informação genética que o organismo se forma e cresce. Portanto, material genético é qualquer material biológico que contenha o DNA do doador do material. É no DNA que está toda a informação genética de todos os seres humanos. No núcleo de cada célula do indivíduo, está contido o material genético, acondicionado em cromossomas. Estes são compostos de ácido desoxirribonucleico (DNA) e nucleoproteínas complexas.

Cada pessoa possui 22 pares que são iguais tanto nos homens quanto nas mulheres, estes são denominados autossomas. A diferenciação se dá com o 23o par, os cromossomos sexuais, o qual, nas mulheres, é composto de dois cromossomas X e, nos homens, de um cromossoma X e um cromossoma Y. Desse par de cromossomas sexuais, um é proveniente da mãe e outro do pai.  Nos seres humanos o sexo do recém-nascido depende do tipo de esperma que fazer a fertilização. Se o espermatozóide que fertiliza o óvulo carrega o cromossomo X o zigoto resultante vai dar origem a uma menina (XX) e se o espermatozóide que fertiliza o óvulo carrega o cromossomo Y, o zigoto vai dar origem a um menino (XY). A probabilidade de o nascimento de um menino ou uma menina é exatamente o mesmo.

A conclusão que os cientistas evolucionistas chegaram para negar a origem dos seres humanos a partir de Adão e Eva, foi que seria impossível ela ter surgido ou “nascido” apenas do homem, aja visto, não ser possível a mulher (Eva) ter o mesmo material genético de Adão. Se deste ponto de vista Eva tivesse surgido de Adão, ela seria um clone; não poderia gerar descendentes do sexo feminino, pois não carregaria os cromossomos XX encontrados apenas em mulheres; Teria os mesmos cromossomos de Adão: XY; Teria o mesmo sexo de Adão e Teria o mesmo DNA de Adão.

Acontece que Eva não foi “nascida” de Adão e sim “criada.” Há uma diferença de nascer e criado. Eva tinha parte do material genético de Adão; Deus mudou apenas um cromossomo e ficou assim (XX), cromossomos sexuais femininos. Estudos do DNA mitocondrial mostram que todos viemos de uma mesma mulher (EVA). Portanto, Eva foi criada por Deus de uma forma toda especial. Deus usou parte do material genético de Adão para fazer Eva. É por este motivo que o próprio Adão diz a respeito de Eva: “... Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada” (Gn 2.23).

A ciência é muito boa e eficaz quando trata de matéria exclusiva de sua competência, porém, quando tenta explicar aquilo que somente a fé pode, cai no ridículo de criar teorias infundadas, sem sentido e sem propósitos. Os que confiam cegamente na ciência são incapazes de crer no que a Bíblia diz a respeito do Deus criador de todas as coisas, a não ser que o próprio Senhor ilumine suas mentes para isso.  Diz o Dr. George Wald:

"Basta contemplar a magnitude dessa tarefa para admitir que a geração de um organismo vivo é impossível. Todavia, aqui, estamos nós – Como resultado, creio eu, da geração espontânea... a ideia razoável era crer na geração espontânea; a única outra alternativa seria crer no ato único, primário da criação sobrenatural. Não há uma terceira posição.”

Ou seja, o homem crê que tudo que existe surgiu do nada (geração espontânea), ou iluminado pelo Espírito do Senhor, crê na criação sobrenatural de Deus. Qual a sua posição?

Rev. Gilberto de Souza